O Anjo Ancorado

1.ª edição - Editora Ulisseia, Lisboa, 1958, capa de Sebastião Rodrigues
3.ª edição -- com um estudo sobre o Autor de Alexandre Pinheiro Torres -- Moraes Editores, Lisboa, 1964
Edição «Clube do Livro» -- Círculo de Leitores, 1980
7.ª edição, com prefácio de
Mário Dionísio -- Publicações O Jornal, Lisboa, 1984
8.ª edição, com prefácio de
António Tabucchi -- Publicações Dom Quixote, Lisboa, 1990

 

"Em O Anjo Ancorado o ambiente ressalta do contraste entre o casal e o automóvel e a aldeia e seus habitantes. Nos últimos tudo é primitivo, a começar pela fome, enquanto nos primeiros - burgueses palavrosos de má consciência - a modernidade da técnica lhe aumenta o conforto. Suave descida aos infernos (atente-se na descrição da travessia da aldeia e nos comentários de Guida Sampaio) há tanta soberba e distância entre os dois passageiros e os aldeões como entre o carro e «os casinhotos de S. Romão».(...)

A luta travada entre o homem e o mero e entre o velho e o perdigoto, assim como o inútil combate contra o tempo em que se amargura Ernestina, combate de que o astuto garoto será árbitro, são águas-fortes destinados a avivar o clima dos desocupados e a torná-lo responsável daquela pesada desigualdade."

CRUZ, Liberto, Análise crítica e selecção de textos, 1.ª edição, Lisboa, Arcádia, 1972, pp. 32-33