O Hóspede de Job
Prémio Camilo Castelo Branco
1.ª edição - Editora Arcádia, 1972
Edição «Clube do Livro» - Círculo de Leitores, 1972
7.ª edição - Publicações O Jornal, Lisboa, 1983
"Em O Hóspede de Job - cujo título certeiro nos põe de sobreaviso - um estrangeiro, Gallagher, representante de uma grande potência, instala-se como visita, na terra de Job. Especialista de armamento e de guerras, traz consigo a arrogância e a luta. E, ao abandonar a terra de Job, levará como presente a dor dos camponeses. Não lhes podendo roubar a comida, por não a haver, tenta comer-lhes os próprios corpos. João Portela será um símbolo dessa destruição estrangeira. Entretanto, mercê de vários pequenos filmes, o clima da terra visitada por Gallagher vai-nos sendo revelado. O desajuste entre o poderio de Gallagher e a fraqueza do bando de garotos é menos notório se verificarmos que existe desproporção semelhante entre as mulheres de Cimadas e os representantes da ordem. Opondo a força à razão, a petulância à miséria, a malvadez à ingenuidade, o romancista não só cria uma ambiência como separa e distingue os seus comparsas.
O meio dos militares, de Leandro e dos camponeses, são também aflorados pelo que podemos constatar nada estar ausente da terra onde o capitão estrangeiro ensaia as suas máquinas de guerra.
Contando diversas histórias, alongando-se em várias considerações e inventando frases de personagens principais, José Cardoso Pires parece querer dizer-nos que os hóspedes deste tipo só podem ter acolhimento em ambivalências deste género."
CRUZ, Liberto, Análise crítica e selecção de textos, 1.ª edição, Lisboa, Arcádia, 1972, pp. 35-36
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