Jornalista Desportivo

Filho de um árbitro de futebol conhecido por Oliveira Penalty, dono de um restaurante na Travessa da Espera, chamado "Farta Brutos", Machado segue a tradição do pai e do seu bairro, dedicando-se ao jornalismo desportivo. Na realidade, o escritor foi durante duas décadas, jornalista desportivo, trabalhando no Norte Desportivo, Record, Diário de Lisboa e Diário Ilustrado. "Escrevi três voltas a voltas a Portugal em bicicleta e aos domingos fazia relatos de jogos de futebol" (QUEM É VOCÊ? 1983).

Para Dinis Machado o jornalismo "foi muito útil. O jornalismo oferece uma grande vantagem: cria-se a necessidade de trabalhar relativamente bem num curto espaço de tempo" (Diário Popular 2/05/87).

"Todas as resmas de papel que escrevi para os jornais ajudaram-me a escrever um livro mais tarde. O jornalismo é uma escola do caraças. Trata-se da obrigação contínua de trabalhar as palavras. Todos os dias se alinhavam textos num ritual obrigatório. É uma forma de aprendizagem como não pode haver outra" (QUEM É VOCÊ? 1983)

De facto, o escritor acredita que a sua vasta experiência jornalística em muito terá contribuído para a construção de Molero " nas muitas algibeiras do livro misturam-se, amarrotadas, centenas, talvez milhares de textos de jornal: futebol, ciclismo, poeminhas, cinema, coisas do quotidiano, incêndio, notícia retocada, telex. Foram quase 20 anos em jornais todos os dias. Talvez esteja aí o best-seller: a velocidade da escrita do jornal, o tempo apertadíssimo, a necessidade de chegar a quem lê depressa e bem. Escrevi milhares de palavras mal sentado, em pé, ou com o papel seguro com a mão esquerda na parede. Aprendi muito" (A Luta 13/10/78).

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