Teatro

"O que diz Molero" subiu pela primeira vez ao palco a 27 de Outubro de 1994, na Sala Estúdio Amélia Rey Colaço-Robles Monteiro do Teatro Nacional D.Maria II.

Misto de banda desenhada, desenho animado e filme, esta transposição para o teatro da obra de Machado, não perdeu a sua dimensão séria conseguindo ser simultaneamente, divertida e animada.

Segundo Nuno Artur Silva, o responsável pela adaptação da obra, "a nossa opção foi, desde o princípio, privilegiar ao máximo a linguagem do livro, preservar ao máximo as palavras concretas do romance original. O que procurámos fazer foi uma orquestração da linguagem literária, relacionando-a com as outras artes, da imagem, do som, e da representação, claro..."

As duas personagens principais, à semelhança do livro, são Austin, e Mister Deluxe que pertencem a uma certa Organização não especificada, lendo e comentando um relatório elaborado por Molero (um investigador que nunca sobe ao palco) acerca de um cidadão anónimo, apenas chamado de rapaz.

Este relatório, que se inicia na infância do rapaz - na Lisboa dos anos 40 - revela incontestavelmente muitos retalhos da vida do autor, profundamente ligado ao Bairro Alto onde cresceu. Em palco as duas personagens movem-se num cenário de imagens relacionadas com o relatório que lêem, apresentando-se elas próprias como irreais, dois desenhos animados...

De facto para Nuno Artur Silva "este trabalho é uma espécie de cruzamento entre o teatro e a banda desenhada. E a partir de dada altura, começamos a imaginar Austin e Deluxe como seres de papel, desenhos animados fascinados pela vida e pelas histórias dos seres reais de 3 dimensões, fascinados pela espessura da vida dos humanos, pelas suas memórias, histórias do mundo real, que eles só vislumbram pelo relatório de Molero (...). Parecem-nos personagens teatralmente ricas e capazes de produzir sentidos múltiplos... se calhar são deuses, ou se calhar são só desenhos animados.

Esta co-produção do Instituto de Artes Cénicas e Lisboa 94 conheceu excelentes críticas e obteve alguns prémios da Associação Portuguesa de Críticos de Teatro em 1994.

[ CITI ]