Alves & C.ª - Crítica Social
A intenção critica debruça-se, nesta obra, sobre a sociedade burguesa.
Godofredo Alves é o protótipo da prudência mercantil e do burguesismo acomodatício, assim se explicando a sua reconciliação com a mulher e com o sócio. Alves tinha um grande sentido das conveniências sociais e comerciais, já que o negócio era o mais importante e tinha que prosperar.
"A transigência moral, o sentido de acomodamento quotidiano, e a submissão aos interesses superiores do lucro comercial levam de vencido os escrúpulos subjectivos de um marido traído: o furor é dos romances, o sentimento está na poesia, a vida não passada, modesta e contínua numa positividade tranquila, monotonia, pacatez social. As paixões fortes pertencem aos livros - e nada é menos literário que um escritório de comissões vendendo betão ou colares para Angola ou Moçambique.".
"«Isto, quando há educação, tudo vem a acabar bem» - Filosofa o bom Godofredo, modelo da sua classe uma vez amainada a raiva e diluída a triste recordação daquele 9 de Julho".
E assim, se retoma a rotina esquecendo-se o "acidental" adultério. Este acaba assim, por se reduzir a um acidente pouco significativo, imediatamente censurado e ocultado pelas imposições sociais.
Note-se que a principal preocupação de Godofredo, não era a atitude da sua esposa, mas o futuro da firma e dos negócios.
"Godofredo obedece afinal ao instinto supremo, o da conservação social, acatando os ditames soberanos da sua classe".
[ CITI ]