Cidade e as Serras - Jacinto
Nasce em Paris, no 202 dos campos Elísios, em 1852. Aí cresce o "Cintinho", que casa com Teresinha Velho, que morre pouco depois tísica. Jacinto herda uma renda da qual vive.
Um dia compra a um sacristão espanhol, um bilhete de lotaria e logo lhe saem 400 mil pesetas, por isso lhe chamam "o Príncipe da Grã-Ventura".
Defende a ideia de que "o homem só é superiormente feliz quando é superiormente civilizado", por isso reúne no 202, tudo aquilo que a civilização e cultura lhe podem dar: inúmeros inventos e uma enorme biblioteca.
Viva em Paris e usufruía de todas as comodidades que lhe oferecia a capital. A natureza era, para ele, um mundo estranho e hostil que lhe repudiava.
Porém, passados uns anos vivendo na civilização, quando Zé Fernandes regressa do Douro, este estava desanimado, com falta de apetite, farto da civilização, achando tudo uma "maçada" e uma "seca". Sofria do tédio do viver ocioso.
Zé Fernandes leva Jacinto a concordar que a cidade é "uma ilusão perversa". O simbólico episódio da inundação do 202, da avaria do elevador e da falta de electricidade, leva Jacinto a repensar a técnica que considerava indispensável.
Uma enorme tempestade causa prejuízos no solar de Jacinto em Tormes, soterrando os ossos dos seu antepassados numa capela rústica do século XVI - o que contribui, definitivamente, para o seu regresso a Portugal.
Um erro nas bagagens, faz com que todos os confortos que trazia, fiquem um ano retidos em Alba de Tormes (Espanha). Jacinto fica assim, sem os seus objectos da civilização. Muda, encontra nas serras as virtudes da natureza e da simplicidade, o gosto da comida sã, e até uma ocupação: a reconstrução da sua casa e das suas terras. Jacinto filosofa e faz o elogio à natureza. Torna-se até um homem generoso, esforçando-se por melhorar a vida dos seus trabalhadores.
No final, casa com Joaninha e tem dois filhos, o que o prende aquelas serras para sempre, esquecendo Paris.
Jacinto é, portanto, uma personagem que sofre uma evolução muito acentuada ao longo da obra.
[ CITI ]