Cônsul de Havana

Muitos desconhecem esta faceta profissional de José Maria Eça de Queirós. Formado em Direito, é na diplomacia que encontra um modus vivendi que o leva a passar no estrangeiro grande parte de sua vida, só vivendo curtos períodos em Portugal.

Ingressando na carreira diplomática, esta vai influenciar a sua obra e afirmar o seu cosmopolitismo. Enriquece-lhe o espírito, mas acaba por desiludi-lo pois depois de criticar o que estava mal no país acaba por encontrar esses mesmos defeitos no estrangeiro.

Setembro de 1870

Eça de Queirós presta provas para cônsul de 1ª classe na Sala do Corpo Diplomático do Ministério dos Negócios Estrangeiros, tendo ficado classificado em primeiro lugar. No entanto, e apesar desta classificação nas provas, é preterido por Saldanha Gama, que havia ficado classificado em segundo lugar, para a colocação na vaga da função diplomática que existia na Baía.

16 de Março de 1872

Eça é nomeado para o Consulado das Antilhas espanholas.

20 de Dezembro de 1872

Chega a Havana, onde é empossado no seu cargo pelo seu antecessor, Fernando de Gaver. Neste posto encontram-se sob suas directrizes um chanceler, dois amanuenses e um intérprete chinês.

Aqui o objectivo de Eça relaciona-se com um modo de servir e honrar Portugal, os interesses dos portugueses e os direitos fundamentais da Humanidade.

Cuba era uma colónia espanhola em rebelião com Madrid, com o apoio final dos EUA, e que só acabaria em 1898 com a assinatura do Tratado de Paris em que Espanha foi forçada a renunciar aos direitos de potência colonizadora.

Os chineses eram embarcados em Macau para Cuba para trabalharem nas fazendas de açúcar. Eça incute-se do dever de humanidade de defesa dos chineses de Macau ("coolies"), que eram explorados pelos fazendeiros nos contratos que faziam durante um período de oito anos, e que quase eram forçados a renovar. Eça insurge-se contra esta situação, o que transparece na correspondência que envia para Portugal. Mas o que também aqui transparece é a solidão, a doença e o desinteresse que daqui decorre.

30 de Maio de 1873

Eça embarca para os EUA para cumprir uma diligência mandada instruir pelo Embaixador de Portugal naquele país às condições em que viviam em Nova Orleães e noutros núcleos da América do Norte os colonos portugueses. Nesta viagem, passou por Nova Iorque, Pittsburg, Lago Ontário, Montreal, Chicago, Filadélfia e o estado da Pensilvânia, dando as suas impressões destes locais, mais uma vez, nas suas cartas.

15 de Novembro de 1873

Já se encontra de regresso a Havana, finda a sua missão.

Março de 1874

Embarca para Lisboa, onde passa oito meses.

29 de Novembro de 1874

Um decreto do Ministério dos Negócios Estrangeiros transfere-o para o Consulado de Newcastle-on-Tyne, cidade inglesa típica.

Aqui continua o isolamento sendo que Eça se ocupa de "descobrir" a literatura inglesa. O seu estado de saúde sofre também um agravamento, em parte devido às condições climatéricas.

30 de Junho de 1878

É transferido para o Consulado de Bristol mas em Novembro deste ano ainda se mantém em Newcastle-on-Tyne, talvez em consequência de problemas monetários, que constituem uma constante durante toda a sua vida.

28 de Agosto de 1888

Publicação do decreto que nomeia Eça para o Consulado de Paris, na rua de Berry.

Tendo tido conhecimento do facto de que o Consulado de Paris iria vagar em consequência do afastamento do Visconde de Faria, Eça escreveu para Lisboa para o seu amigo Oliveira Martins, cuja nova posição o coloca como muito importante no partido progressista. É assim que acontece esta nomeação.

20 de Setembro de 1888

Toma posse do seu cargo, sendo que um acontecimento "burlesco" acontece aquando da sua chegada ao Consulado: ao pretender tomar posse do cargo para que fora nomeado, surge-lhe pela frente a mulher do antigo cônsul, a Viscondessa de Faria, que, com uma certa impertinência, se recusa a abandonar o local. A questão é depois resolvida e Eça conta esta peripécia a Oliveira Martins, numa carta que lhe dirige.

Reside em Neuilly. Aqui permanece, com excepção de curtos períodos temporais.

França foi uma residência definitiva, adequada ao seu temperamento e formação, embora Eça nunca se tivesse integrado na sociedade francesa.

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