Contos - Civilização

Este conto possui a estrutura embrionária do romance A Cidade e as Serras. Contendo princípios da escola naturalista e aproximando-se do romance de tese, encerra a ideia que Jacinto (o protagonista) expressa no referido romance - "É no máximo da civilização que ele experimenta o máximo de tédio".

A temática dominante é, pois, a oposição cidade/campo.

No conto Civilização é narrada a vida de Jacinto, um homem novo e culto que vivia faustosamente, rodeado dos mais sofisticados e recentes inventos da técnica bem como das mais belas obras-primas da literatura. Dentro dos escritores que mais apreciava, destaca-se Shopanauer, com quem se identificava bastante. De facto, em parte pelas influências pessimistas deste autor, Jacinto era um homem enfastiado, sempre aborrecido, desalentado e entediado, não obstante o luxo em que vivia. Era o protótipo do homem civilizado mas também da infelicidade.

Tudo havia de mudar quando o protagonista decide ir passar uma temporada à sua Quinta, situada na montanha, bem longe da civilização. Jacinto tenta superar o isolamento enviando para aí todos os equipamentos técnicos e demais apetrechos que julgava indispensáveis a uma vida civilizada e luxuosa. Contudo, ao chegar, apercebe-se que os caixotes enviados não tinham chegado e que a nenhuma da suas ordens, relativas à realização de obras na casa, tinha sido cumprida.

Inicialmente desmoralizado e ainda mais pessimista com tamanha "tragédia", Jacinto é, subitamente, invadido e transformado pela beleza e simplicidade da vida campestre.

E vai ser assim, longe da civilização, dispensando os exageros da sumptuosidade e os inventos da técnica, que Jacinto redescobre o prazer e a alegria de viver.

Este conto termina, pois, com uma clara apologia à aura mediocritas.

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