Grupo do Cenáculo

Pode definir-se o Cenáculo como um grupo de jovens escritores e intelectuais, denominados de vanguarda, que trazem de Coimbra para Lisboa a disposição boémia e tentam agitar a sociedade no que diz respeito a questões políticas e mesmo sociais, agitação esta que terá como ponto culminante as Conferências Democráticas do Casino, organizadas pelos artistas e literatos que fundam e frequentam este grupo. Constitui-se este grupo no meio termo que se encontra entre a formatura destes intelectuais e as suas carreiras.

Esta espécie de tertúlia, iniciada por fins de 1867, tem como seu primeiro local de reunião a casa de Batalha Reis, na Travessa do Guarda-Mor, n.º 19 hoje Rua do Grémio Lusitano, situada no cruzamento desta rua com a Rua dos Calafates, actualmente Rua Diário de Notícias, no Bairro Alto. Quando Antero de Quental regressa das ilhas, cerca de Novembro de 1868, passa a desempenhar um papel primordial nesta tertúlia.

Por esta altura eram frequentadores desta tertúlia Salomão Saragga, José Fontana, Lobo de Moura, Mariano Machado, Manuel Machado e outros, nomeadamente Eça, Antero, Batalha Reis.

Quando Antero e Batalha Reis mudam de casa, passando a habitar uma sobreloja que dava para o Jardim de São Pedro de Alcântara as reuniões mudaram-se para a plataforma inferior desse jardim, onde Eça de Queirós os encontrou aquando do seu regresso da viagem ao Oriente para assistir à inauguração do Canal do Suez.

Mais tarde Antero e Batalha Reis mudam-se para a Rua da Cruz de Pau, n.º 20, 2º andar, ao Alto de Santa Catarina, permanecendo durante pouco tempo, mudando-se de novo para o 1º andar do n.º 63 da Rua dos Prazeres, até 1872, onde planeiam as famosas Conferências Democráticas do Casino.

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