D. Carolina Augusta Pereira de Eça

Quando conheceu o Dr. José Maria de Almeida Teixeira de Queirós, D. Carolina era uma jovem de 18 anos, muito bela e elegante, proveniente de Monção e residindo em Viana do Castelo.

Nasceu corria o ano de 1826, morrendo decorridos oito anos após a morte de Eça, em 1908.

Os Pereiras de Eça eram uma família de militares de Viana do Castelo.

Era a filha mais nova do Coronel José António Pereira de Eça, falecido em 1833 em virtude dos ferimentos graves recebidos na batalha de 18 de Agosto daquele ano, onde comandou um regimento e que, por sua vez, foi comandada pelo marechal Saldanha afastando os miguelistas do Porto.

Sua mãe, D. Angélica Clementina de Abreu Castro de Eça, quando casou com o pai de D. Carolina, era viúva do Major Bento Castro. Filha de um comerciante galego, com residência em Valença de nome Anselmo Vicente de Areal, natural de Santa Marinha de Areas, em Tui, Galiza.

Apaixonou-se pelo pai de Eça, Dr. José Maria de Almeida Teixeira de Queirós, em Viana do Castelo, engravidando por volta de Março de 1845. Órfã de pai, contava dezanove anos quando Eça nasceu, sendo uma donzela solteira.

O casamento era uma solução bem vista pelo pai de Eça mas a noiva, indignada com o sucedido, e tendo um feitio violento e impulsivo recusou os esforços nesse sentido. Diz-se que foi a sua mãe, no leito de agonia, quem lhe arrancou a promessa de casamento com o pai de seu filho.

Refugiou-se na Póvoa de Varzim, onde nasceu Eça que é registado como filho de mãe incógnita e, perante a falta de disposição para criar a criança, esta é entregue a uma ama de criação e, depois, aos avós paternos.

D. Carolina casou com o pai de Eça a 3 de Setembro de 1849, após a morte de sua mãe, D. Angélica.

A relação entre mãe e filho não se pode dizer normal. Afinal, nem quando internado no Colégio da Lapa, no Porto, e com os pais a morarem na mesma cidade, passava as férias com os pais, passando-as na Rua da Cedofeita, em casa da tia materna D. Carlota Pereira de Eça Albuquerque e, no Verão em casa arrendada na Póvoa de Varzim. A infância de Eça foi triste porque este se sentiu como um filho adoptivo e mesmo abandonado. Sua mãe fora a sua ama e depois, a sua avó materna. Ele não amava sua mãe e esta não demonstrava qualquer ternura por ele, o que já não deveria acontecer com os outros quatro filhos que viveram, pois morreram dois. Aurora, Henriqueta, Alberto Carlos e Carlos Alberto nasceram e viveram na casa dos pais, tendo a ternura e o apoio dos progenitores.

Muitos defendem que esta infância infeliz influenciou a obra de Eça.

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