Os Maias - Críticas

Quando Eça de Queirós lançou Os Maias, o poeta Bulhão Pato achou que a personagem Tomás de Alencar pretendia ser uma crítica a ele próprio. Publicou então várias sátiras dirigidas a Eça, intituladas O Grande Maia e Lazaro consul, onde mordazmente ridiculariza as obras do romancista. Vejamos um excerto:

"Séria, n’esta nação, não há mulher nenhuma.

Homem? Algum cretino! E com talento, em summa,

Nem mesmo amigos seus! Só elle é que figura

Na tela genial! E não borra a pintura!

Tudo é mesquinho e vil no meu torrão natal!

Assim o dizes tu, consul de Portugal!

Ó Lazaro, fareja as podridões da vida,

como fareja a hyena a carne corrompida!

Não deis ao teu nariz nada affectivo e santo;

Nem um sorriso do berço, nem à cova um pranto"*

*PATO, Bulhão in MARTHA, M. Cardoso, Notas Queirozianas, s.ed., Lisboa, s.e., 1923.

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