Dr. José Maria de Almeida Teixeira de Queirós

O pai de Eça, Dr. José Maria de Almeida Teixeira de Queirós nasceu entre 1819 e 1820, no Brasil, vindo para Portugal ainda criança.

Filho do Conselheiro Dr. Joaquim José de Queirós, desembargador e ministro do Reino, estando no Brasil quando seu filho nasceu a desempenhar funções de desembargador nas terras pernambucanas do Recife. Aquando da dissolução do Parlamento, a 13 de Março de 1828, já se encontrava em Portugal. Em 25 de Novembro de 1829 foi condenado à morte, após ser julgado como rebelde, pela participação numa conjura em Aveiro e pela luta, à frente de liberais insurrectos, contra o rei D. Miguel, só escapando por ter fugido, primeiro para a Galiza e, depois, para Plymouth, vindo a desembarcar no Mindelo com D. Pedro IV de Portugal. Após a vitória sobre D. Miguel é instalado na Presidência da Relação do Porto, sendo depois demitido pela sua tendência a favor do cabralismo. Em 1847 é reintegrado, sendo nomeado Ministro da Justiça mas pouco se demora neste cargo. Já com uma certa idade recolhe-se à sua casa de Verdemilho, rodeado da mulher, dos filhos e de alguns empregados que trouxera do Brasil e, provavelmente, já com a companhia de seu neto Eça. Morre no dia 16 de Abril de 1850. De notar os seus ideais liberais avançados, que influenciaram o filho e a sua pertença à Maçonaria.

Sua mãe, D. Teodora Joaquina de Almeida, era oriunda de Fornos de Algodres, tendo embarcado com o Dr. Joaquim José para o Brasil, acabando por lá casar com ele. Aquando da perseguição a seu marido, chegou a ser presa pelos miguelistas que, no entanto, acabam por soltá-la. Morre no dia 3 de Novembro de 1855, provável razão pela qual Eça é internado no Colégio da Lapa, no Porto.

O pai de Eça formou-se em Direito pela Universidade de Coimbra. Durante a sua carreira académica colaborou em diversas publicações, nomeadamente na "Crónica Literária da Academia Dramática", no "Ramalhete" e no "Trovador". Representou no teatro Académico e, como seu pai, perfilhou ideais liberais muito avançados.

Quando conheceu D. Carolina Augusta tinha pouco mais de 20 anos de idade, exercendo o cargo de delegado do procurador régio em Ponte de Lima. Conheceram-se e enamoraram-se em Viana do Castelo, onde residia a família Pereira de Eça. Em Janeiro de 1847 é destituído deste cargo devido ao fracasso do movimento da Patuleia no qual esteve envolvido. Começou então a exercer advocacia em Viana do Castelo.

Casa-se com D. Carolina a 3 de Setembro de 1849.

A 24 de Março de 1852 exerce na magistratura, sendo nomeado procurador régio em Barcelos. Não chegou a tomar posse deste cargo pois foi designado juíz da 1ª vara do Porto a 7 de Abril. Entretanto, foi transferido para Ovar e ainda para Estarreja, de onde foi novamente transferido, a 17 de Abril de 1856, para o Porto, mas para o 2º distrito criminal, mudando para o 1º distrito criminal da mesma cidade a 2 de Julho de 1858.

Em 1862 já o encontramos a exercer o cargo de magistrado na cidade de Lisboa. Estas constantes mudanças e mesmo algumas "despromoções" podem reputar-se ao facto de o pai de Eça de Queirós ter enfrentado o poder político diversas vezes, recusando-se a confabular em determinadas situações que talvez considerasse injustas.

A sua relação com o filho também não se pauta pelo amor que normalmente os pais e os filhos nutrem uns pelos outros, até porque o mais parecido que Eça teve com a figura paterna foi o avô, no curto período em que tiveram convivência em Verdemilho e que foi interrompida pela morte deste.

De acordo com uma anotação de Camilo num livro da autoria de Sampaio Bruno: "Eça foi sempre o menos querido dos seus irmãos e também o menos amorável com os pais".*

Morreu no ano que seguiu a morte de Eça, em 1901.

*In FONSECA, Gondin da, Eça de Queiroz – Uma Biografia Pioneira, s/local, Ed. Borsoi, 1970, s/ed., pág.53)

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