O Primo Basílio - críticas

A imprensa e a classe letrada da geração de 70 foi muito favorável nas críticas e opiniões que emitiram acerca desta obra.

Vejamos alguns exemplos:

Segundo a opinião de Teófilo Braga "como processo artístico O Primo Basílio é inexcedível; não haverá nas literaturas europeias romance que se lhe avantage. Há ali a construção segura de Balzac, o acabado artístico de Flaubert, a crueza real mas imponente de Zola, os quadros completos como em Daudet. Os tipos e as situações rivalizam entre si".

Guerra Junqueiro dizia: "Eça de Queirós pertence à ordem elevada dos artistas criadores (...). O conselheiro Acácio e a criada Juliana, conquanto não possuam a latitude, a quase universalidade, dalguns dos tipos de Balzac, no entanto, como poder de evocação, como força de génio, colocam Eça de Queirós a par do autor da Cousine bette, do Père Goriot e da Eugénie Grandet".

Já uma crítica mais severa faz Machado de Assis: "Há episódios mais crus que outros. Que importa eliminá-los? Não poderíamos eliminar o tom do livro. Ora o tom é o espectáculo dos oradores, exigências e perversões físicas. Quando o facto lhe não parece bastante caracterizado com o termo próprio, o autor acrescenta-lhe outro impróprio (...)".

Acerca do enredo do romance escreve ainda: "Assim essa ligação de algumas semanas, que é de facto crucial e essencial da acção, não passa de um incidente erótico, sem relevo, repugnante, vulgar (...)".

"Um leitor perspicaz terá já visto a incongruência da concepção do Sr. Eça de Queirós, e a inanidade do carácter da heroína. Suponhamos que tais cartas não eram descobertas, ou que Juliana não tinha a malícia de as procurar, ou enfim que não havia semelhante fêmula em casa nem outra da mesma índole; estava acabado o romance, porque o primo enfastiado seguia para França, e Jorge regressaria do Alentejo; os dois esposos voltariam à vida anterior. Para obviar a esse inconveniente o autor inventou a criada e o episódio das cartas, as ameaças, as humilhações, as angústias e logo a doença, e a morte da heroína. Como é que um espírito tão esclarecido, como o do autor, não viu que semelhante concepção era a coisa menos congruente e interessante do mundo?".

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