Prosas Bárbaras - O Milhafre

O milhafre aparece neste conto personificado e representante de um filósofo, em cujo bico o autor põe certas verdades que não convinha pôr na boca dos homens.

Eça recorre a uma figura irresponsável que, por isso, tem a liberdade de tudo poder dizer.

Este milhafre encontra-se numa casa, num velho crucifixo, cheio de teias de aranha, junto ao Cristo morto.

Certo dia, um desconhecido que entra na casa, ao ver o crucifixo dispõe-se a limpá-lo, mas o milhafre pede ao homem para deixar a cruz como está (não tem medo do apodrecimento da cruz), justificando esta atitude através do paralelo entre os actos divinos de amor e perdão e as ofensas dos homens. Faz ainda, uma comparação entre as cidades e as consciências.

Termina com uma acusação à humanidade materialista, através de duas interrogações retóricas, seguidas de algumas reflexões.

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