A Ilustre Casa de Ramires - Estética

Este romance desenrola-se em dois planos que caminham paralelamente. Num tom romântico e idealista faz-se o romance histórico, num tom realista descreve-se a vida da província. É evidente o contraste entre a nobreza dos feitos guerreiros do romance histórico e a mesquinhez e a bisbilhotice da vida da província. O próprio estilo diverge.

Do ponto de vista estilístico, destaca-se a utilização de particípios transformados em advérbios, a recusa do uso de verbos comuns e banais (como dizer, perguntar, responder, etc.), o uso frequente de hipálages, onomatopeias, hiperboles e repetições.

Relativamente ao emprego do adjectivo, é notória a tripla e dupla adjectivação, de modo a proporcionar uma unidade rítmica. É também comum o adjectivo adverbial, excelentemente posicionado.

Para obter efeitos cómicos, Eça emprega epítetos excessivos a respeito de coisas triviais. É também frequente a atribuição de qualidades concretas ao imaterial.

Refira-se, por outro lado, a utilização do discurso indirecto livre, tendo sido Eça o primeiro escritor português a utilizá-lo com plena consciência das suas possibilidades estilísticas.

É também extraordinário o aproveitamento das potencialidades sonoras que o escritor faz do vocabulário que emprega.

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