Vencidos da Vida

"Para um homem, o ser vencido ou derrotado na vida depende, não da realidade aparente a que chegou – mas do ideal íntimo a que aspirava".

Esta é a denominação dada à fase final da Geração de 70, que corresponde ao fim do século. É a fase em que Eça de Queirós, Antero de Quental e Oliveira Martins renunciam à acção política e ideológica imediata. Surge a idealização vaga de uma aristocracia iluminada, contraponto do socialismo utópico. Exemplo disto é o elogio de Eça ao rei, a defesa de uma monarquia agonizante:

"O Rei surge como a única força que no País ainda vive e opera".**

Esta é a fase suprema da ironia queirosiana.

Concretizando, chamam Vencidos da Vida às onze figuras que se reuniam de 1887 a 1889 semanalmente para jantar e conversar no Hotel Bragança, no café Tavares ou na residência de um dos participantes que eram: Oliveira Martins, Ramalho Ortigão, Guerra Junqueiro, António Cândido, Eça de Queirós (só 1889), o conde de Ficalho, o conde de Sabugosa, o futuro conde de Arnoso, o depois marquês de Soveral, Carlos de Lima Mayer e Carlos Lobo de Ávila. A denominação decorre da renúncia destes intelectuais às suas aspirações de juventude.

Esta desilusão e desistência patente neste grupo, é confirmada pelo suicídio de Antero no ano de 1891. Nos romances de Eça a simbólica da desistência evidencia este desalento que caracteriza uma Geração anteriormente tão activa, tão combativa que tentava revolucionar a sociedade no seio da qual foi criada. Mesmo o personagem tão conhecido que Eça denomina Fradique Mendes é um símbolo desta desistência.

*QUEIRÓS, José Maria Eça de, Cartas Inéditas de Fradique Mendes e Mais Páginas Esquecidas, Porto, Livraria Chardron, 1929, 1ª edição in MACHADO, Álvaro Manuel, A Geração de 70 – Uma Revolução Cultural e Literária, s/local, Instituto de Cultura Portuguesa, 1977, 1ª edição, pág. 211.

**Op. Cit., pág. 79.

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