Romances

Para além da sua actividade científica, Teolinda Gersão tem outro interesse, ou melhor, outra paixão mais forte que é a Literatura, principalmente a escrita ficcional (o romance). Apesar de já se ter aposentado, continua com o trabalho de investigação e a escrever ensaios de Literatura; por outro lado tem mais tempo livre para escrever, que era o que lhe faltava anteriormente; visto ser solicitada para outro tipo de trabalhos, acabava por escrever os romances só nas férias, "...as duas coisas ao mesmo tempo não consigo fazer(...) era um grande desgaste para mim...", "...levava 5 ou 6 anos às vezes a escrever um romance." A escritora confessa mesmo que às vezes apetecia-lhe "... ter uma vassoura mágica, montar nela e voar para longe. Gostaria de ter pelo menos 48 horas por dia. Falta-me tempo para tudo - para escrever desde logo."(PEDROSA, Inês - Teolinda Gersão: " Interessa-me captar o inconsciente em relâmpagos." Entrevista in Jornal de Letras, ano IV, s.l, nº 103, 1984, página.4). Em 1976, quando acaba a tese de doutoramento, decide que chegou a hora de se dedicar mais ao que realmente gosta de fazer -a escrita-, por isso resolve começar a publicar.

Os temas da sua obra literária centram-se à volta da relação homem/mulher, e igualmente de outros laços afectivos, a ligação com a Natureza, a relação com a escrita, o tempo (tanto psicológico como histórico), com a linguagem do quotidiano e da crítica às relacões humanas corrompidas e em progressiva deterioração. As histórias de Teolinda Gersão revelam um modo muito peculiar de narração ou de escrita, na qual a imaginação se sobrepõe à realidade. A autora privilegia a intimidade dos seres no dia-a-dia em detrimento das grandes acções históricas.

O seu primeiro livro, - O Silêncio - (1981), explora esse confronto entre o homem e a mulher, trata essencialmente da impossibilidade de comunicação entre seres humanos.

Um ano depois (1982), publica Paisagem com Mulher e Mar ao Fundo, que versa sobre a sociedade portuguesa antes e depois do 25 de Abril, ao mesmo tempo que narra a vida de vários homens e mulheres.

O terceiro livro de Teolinda Gersão, publicado em 1982, não é um romance, mas sim uma história para crianças - História do Homem na Gaiola e do Pássaro Encarnado -, que no fundo "...é mais uma parábola para adultos do que propriamente uma história para crianças ." (Entrevista com Teolinda Gersão realizada pela aluna e autora do trabalho -Daniela Reigadinha-, em 27 de Outubro de 1996). De qualquer maneira, a escritora confessa que a literatura infantil não é o seu género preferido, o que gosta realmente é de escrever romances.

Segue-se Os Guarda-Chuvas Cintilantes (1984), que aborda os problemas quotidianos do escritor, definido como alguém que vive o dia-a-dia intensamente, mas também procura ver algum sentido nas suas acções.

Em 1989, cinco anos após a publicação do seu último livro, edita O Cavalo de Sol que aborda o poder que o homem e a sociedade têm sobre a mulher.

A Casa da Cabeça de Cavalo é um romance, editado em 1995, que mostra a faceta de contadora de histórias da romancista. É um livro sobre a memória e como esta é algo que merece ser guardada, pois não desaparece com o corpo, permanece e é transmitida às gerações seguintes.

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