Teolinda Gersão

Num andar da Avenida Almirante Reis fui encontrar uma senhora simples, modesta, simpática, apanhada desprevenida pelo sucesso e sem qualquer espécie de vedetismos, que não se importou com o meu amadorismo de aluna do 1º ano e me falou calmamente da sua vida, da sua obra, dos seus gostos e das suas preocupacões. A sua paixão pela escrita, principalmente pelo romance, lê-se-lhe nos olhos. Teolinda Gersão poderia ser definida como uma "...mulher com os pés bem assentes na terra e uma saudável desarrumação na alma." (ALVES, Clara Ferreira - "Teolinda Gersão: "Não gosto dessa conversa de escrita de mulheres..." in Jornal de Letras, ano II, s.l, nº 34, 1982, página. 8) ou então como disse um dia Vergílio Ferreira uma "...cúmplice, nesta loucura de encher a vida a escrever romances. Como se numa multidão indiferente alguém erguesse a voz para me saudar. Como se num deserto alguém esperasse para lhe passar o testemunho. Como se de repente eu fosse menos louco." (FERREIRA, Vergílio - Conta-Corrente, volume 2, Lisboa, Bertrand, 1979, página. 263).

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