Ambiente

O território proposto por Jorge Amado como o lugar preferencial do seu imaginário é um espaço cotidiano de contradições culturais, sociais e políticas. O Nordeste brasileiro é a segunda maior região territorial do país, composta por nove Estados (Maranhão, Piauí, Ceará, Alagoas, Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Bahia e Sergipe), onde se concentra uma população de mais de 60 milhões de pessoas. É caracterizada por um extenso litoral de cerca de 640 quilômetros, por áreas de cerrado, planalto e sertão, divididos entre os climas equatorial e tropical húmido.

Nesse amplo espaço territorial, funcionam atividades econômicas primárias, secundárias e terciárias voltadas para a agricultura, pecuária, prestação de serviços e indústria de transformação que abastecem não só o mercado interno, mas é um dos principais fornecedores de produtos de exportação. É uma região auto-suficiente em quase tudo o que precisa para a sua manutenção econômica e social, mas que enfrenta graves problemas climáticos, de alimentação e de distribuição de rendas.

O Nordeste de Jorge Amado é uma região cortada, de um lado pela riqueza econômica, e do outro pela miséria social que resulta nas piores condições de vida do país, onde a sobrevivência é a palavra de ordem de trabalhadores rurais e urbanos. É um espaço rústico, de contrastes fundamentados na divisão nítida de classes entre os que possuem um estilo de vida abastado, resultante da concentração de rendas e os tipos populares que se engalfinham na luta diária pela sobrevivência em trabalhos de ínfima remuneração, fruto de uma política coronelista do interior.

Mais do que mostrar os dois lados de uma mesma moeda, a idéia do autor é enfatizar a complexidade social da região e a diversidade cultural dos tipos destacados. O nordestino é o brasileiro por excelência, amalgamado pelas heranças deixadas dos brancos europeus, dos negros africanos e dos índios de nações distintas. É o que melhor distingue a cultura nacional nos hábitos, nos padrões, nos comportamentos e práticas sociais.

O nordestino é um homem duro, de pé no chão, olhar forte e resistência inabalável, capaz de enfrentar meses de seca no sertão, muitos dias de mar no litoral, ou ainda, muitas horas de sol colhendo cacau, mas é também o mulherengo que não rejeita uma boa dose de cachaça ou uma boa briga no meio da rua, que não desdenha de sua religião afro-brasileira ou dos seus heróis populares. É esse nordestino, fruto do ambiente real do Nordeste que Jorge Amado capta para representar seus personagens no processo ficcional de criação, para mostrar a face de um Brasil que é pouco conhecido do Brasil, para rememorar as marcas mais características de nossa identidade.

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