Castro Alves

Não foi só a inspiração criativa, nem tampouco a forma vigorosa da escrita e muito menos a solidariedade para com um Brasil pouco compreendido. O que Jorge Amado buscou no poeta abolicionista Castro Alves foi um modelo narrativo para pensar o país, a partir dos tipos populares celebrados no século XIX em poemas políticos como Navio Negreiro, produzido em plena luta contra a escravatura.

Castro Alves orientou sua poesia para a luta política de libertação dos escravos tanto por sua origem negra, de onde herdou a cor mulata, quanto pela necessidade de produzir uma obra artística que tivesse o rosto do Brasil esquecido. Uma obra relatada nas praças públicas de Salvador, na Bahia, pelo jovem poeta que não se contentava somente em escrevê-la, mas divulgá-la aos quatros cantos da cidade para lembrar o sofrimento dos irmãos escravos. Uma luta que durou enquanto suportou a vida, já que aos 24 anos morreu tuberculoso, pobre e esquecido.

A força interior, a integridade e o reconhecimento de sua origem deram a Castro Alves o título do maior poeta político do Brasil do século XIX ao lado do escritor Machado de Assis, também mulato que, no entanto, escondeu o quanto pode a sua origem. Jorge Amado seguiu a trilha deixada por Castro Alves ao optar retratar os tipos populares a partir de categorias universais de criação, mas no ambiente específico da região. Jorge Amado deixou que sua obra fruisse espontânea, sem origem literária, apenas pautada pela vontade de expor o Brasil a nú, o Brasil contraditório, o Brasil dos preconceitos sociais, tal como fez Castro Alves.

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