Tipologia do Romance
Os romances de Jorge Amado caracterizam-se pela mistura cultural mestiça, pelo humor lúdico, pelo espírito folclórico baiano, pelo realismo mágico brasileiro, pelo imaginário libidinoso nordestino. E o fascínio da palavra, do discurso direto e da consistência, forças de um estilo único, que é a alma do artista. Pela narração, expressa suas experiências pessoais e as experiências de outros amigos e de outros tempos para dar significado e atualizar fatos pitorescos ou exóticos do imaginário brasileiro ou fatos do cotidiano relevantes da cultura popular.
No misterioso processo de criação o autor envolve-se com os personagens ficcionados quase sempre pelo realismo fantástico de sua narração, onde a objetividade histórica dá lugar a uma linguagem burlesca, específica de um universo simbólico estranho, e às vezes difícil para quem não participa da vida nordestina e não conhece suas crendices, hábitos, costumes, modos de ser e de estar no mundo.
Ao contrário de outros autores da mesma geração de 30 como José Lins do Rego, Graciliano Ramos e Raquel de Queiróz que primam pelo rigor da língua, Jorge Amado prefere deixar fruir o que lhe vêm à cabeça, apenas preocupado em descrever às vezes confusamente, às vezes com uma clareza transbordante as falas de cada personagem e os lugares onde acontecem. Texto e contexto se entrelaçam na dinâmica do roteiro produzido a várias mãos. O difícil é separar, portanto, o autor de sua obra, de seus personagens. O difícil é saber quem manda mais; quem é submetido e quem submete; quem define o romance e quem faz parte dele: se o criador, se a criatura.
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