Muana Puó

Muana Puó, a máscara, foi a primeira obra do autor , escrita na sua passagem por Argel.

A obra foi escrita em 1969 e publicado 1978. É uma estória que integra diferentes estórias onde o autor faz um jogo metafórico com as máscaras da cultura tchokwe. Entender Muana Pwó implica necessariamente algum conhecimento profundo das culturas Lunda e Tchokwe com que o autor teve contacto durante a sua presença na Frente Leste.

Pepetela constrói o romance com base na tradição oral angolana a par de uma técnica narrativa moderna. A intervenção dessas máscaras divide o mundo entre justos e injustos, legitimo e ilegítimo e a celebração do amor. É uma obra de conteúdo filosófico, tudo pode ser lido em várias direcções, todas as palavras são polissémicas.

"Muana Puóuma estória de amor num fundo de luta. Era ainda em abstracto, eu ainda nunca tinha visto guerra na minha vida, por isso arranjei a simbologia com a máscara.

Assim nos fala o autor deste seu trabalho, que escreveu de uma só vez:

"Eu vi a fotografia de um cartaz para um espectáculo da Miriam Makeba, com a Muana Puó...e fiquei fascinado. Foi amor à primeira vista. Fechei-me uma semana no quarto, todo branco, com o cartaz à frente e comecei a escrever sem saber o que ia escrever." - Pepetela.

É o próprio autor quem atrasa a publicação de Muana Puó, outras obras, escritas depois, foram publicadas antes. A hesitação deveu-se ao medo de que o livro não fosse entendido...

"A estória é perfeitamente intemporal e muito simbólico. O livro foi escrito com a máscara à frente e é para ser lido assim, com a máscara à frente. A acção do livro segue as linhas da máscara: o mundo oval, o rosto; o lago, a boca...". - Pepetela

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