Críticas

"A bagagem do viajante... mas que viajante? Que bagagem? O viajante que todos somos, no tempo de vida, curta ou longa, que nos caberá viver e onde talvez o seu essencial mistério seja aquele com que José Saramago nos interroga, como leitores: Um certo e breve minuto da existência não será prova, em vez de todos os sessenta ou setenta anos que nos couberam em quinhão?"

in Bagagem do Viajante, Lisboa, Editorial Futura, 1947

"A sua poesia surge de um extremo de tensão meditativa a abrir caminho até ao coração das coisas. Insere-se, pois (...) na tradição da poesia agnómica do classicismo (...) e, pela contenção afectiva, pela rudeza às vezes aparentemente prosaica e dura, apresenta algum parentesco com Melo Neto."

Óscar Lopes

"Se há autores a quem quadre o termo poeta, José Saramago é um deles, e creio que a designação cabe toda a responsabilidade do escritor que sabe intervir no seu tempo- sem o superar na quimera de um qualquer construtivismo- e sem do seu tempo ser um escravo inglório."

João-Palma Ferreira

"...um dos nomes literários portugueses do nosso tempo, que teria direito às mais elevadas distinções, pelo estilo vivíssimo, pela sua aguda inteligência, pela amarga ironia, pela profunda originalidade da sua expressão."

Taborda de Vasconcelos

"Racionalista, sacrifica à emoção, ao pesadelo e ao delírio, mas é na mais lúcida, intransigente e apaixonada pesquisa ontológica que a sua poesia atinge os mais fortes apelos."

Urbano Tavares Rodrigues

"A contenção reclamada pelos teóricos neo-realistas quanto à forma, encontra em Saramago um intérprete modelo, pois a facilidade de dizer tudo, ou o mais possível, num mínimo de representações gráficas, aqui se expressa com um vigor programático de declarada hostilidade a redundância inconciliáveis com a rudeza pretendida. Só que o cronista lhe acrescenta algo que as cartilhas não preconizam e se trata duma dimensão sensorial, motivada por deformação poética, que actua como agente libertador e impregna, nestas prosas viris, uma saudável e privilegiada fluidez lírica."

Júlio Conrado

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