Críticas

"...Uma prova provada da nossa geral necessidade de maravilha, de humor e de estilo.

...Uma profunda sageza feita, não de qualquer experiência comum, mas da experiência fantasiante e humoral dos limites, num realismo em constante avanço.

...Como Camilo e Aquilino, esses dois mestres do nosso realismo rural, Saramago desenha a traço enxuto as mil e uma maneiras de capear, intrujar, espremer e sangrar os pequenos, a arraia-miúda, que aí, no Alentejo, já em 1385 e 1636 se ergueu em jacqueries e motins contra o Estado dos grandes senhores (...)"

Óscar Lopes

"...profundamente inovador, revolucionário, mesmo, no quadro da ficção dos nossos dias, no nosso espaço. (...) Construído numa dignidade de linguagem de todo invulgar, numa beleza conteudística e formal quase dolorosa, espelho do modo afectivo e inteligente como José Saramago está no mundo enquanto homem político e intelectual, Levantado do Chão é, mais que envolvente, avassalador. Uma força da natureza se tal é lícito chamar a um produto cultural."

Maria Lúcia Lepecki

"...um romance dialógico: ao mesmo tempo que acompanha um processo de transformação social, discute a própria superfície do texto literário apresentando-os como cruzamento de vários discursos."

Lélia Parreira Duarte

"...uma experiência nova, um conhecimento muito intenso, original, dos processos sociais, através de um modo de expressão que ultrapassa certas estruturas do neo-realismo português."

Helena Riauzova

"Este romance de José Saramago consegue, combinar a visão de uma realidade à superfície, na sua envolvência, na sua materialidade, na sua opacidade, com um ductilidade de escrita que produz nessa mesma realidade ressonâncias mais vastas. Daí que a delimitação cronológica e os limites aparentemente estreitos da problemática se dilatem numa proporção e numa densidade que são a de uma condição humana à procura da plena identidade dentro da dignidade do próprio trabalho."

Duarte Faria

"...um dos mais extraordinários monumentos literários com que fica a contar a nossa ficção do pós-25 de Abril."

Luís Pacheco

[ CITI ]