Críticas

"Entre estes limites, balizas de um lento caminhar pensativo, pode ainda o viajante passear pela Coimbra das «Terras baixas, vizinhas do mar», conhecer os segredos do fantasma de José Júnior nas «Brandas beiras de pedra...», parar em todo o lado «entre Mondego e Sado» e saber a história dos italianos de Mértola ao passar pela «grande e ardente terra do Alentejo». Sobretudo siga o avisado conselho do escritor/viajante e «dê mínimos ouvidos à facilidade dos itinerários cómodos e de rasto pisado, aceite enganar-se na estrada e voltar a trás, ou, pelo contrário, persevere até inventar saídas desacostumadas para o mundo."

s/n, "A viagem sem fim" in Volta ao Mundo, mensal, Lisboa, Janeiro 1995, pág. 182.

"Esta viagem a Portugal é uma história. História de um viajante no interior da viagem que fez, história de uma viagem que em si transportou um viajante, história de viagem e viajantes reunidos em uma procurada fusão daquele que vê e daquilo que é visto, encontro nem sempre pacífico de subjectividades e objectividades. Logo: choque e adequação, reconhecimento e descoberta, confirmação e surpresa. O viajante viajou no seu país. Isto significa que viajou por dentro de si mesmo, pela cultura que o formou e está formando, significa que foi durante muitas semanas, um espelho reflector das imagens exteriores, uma vidraça transparente que luzes e sombras atravessaram, uma placa sensível que registou, em trânsito e processo, as impressões, as vozes, o murmúrio infindável de um povo."

José Saramago

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