Diário de Notícias, 1975

"Militante comunista desde 1969, José Saramago deixa de assumir uma posição discreta quando é nomeado director-adjunto do Diário de Notícias em 10 de Abril. Ao lado do director, Luís de Barros, torna-se então, o defensor do 'verdadeiro socialismo', contra a 'democracia burguesa' e os 'salazaristas do CDS'.

Durante o "Verão Quente", o jornal transforma-se em palco de saneamentos por motivos puramente políticos. Muitos jornalistas queixam-se de serem obrigados a relatar tudo o que se passava no PCP e outras forças progressistas e que os artigos são passados a pente fino. As repreensões verbais sucediam-se. O processo ficou conhecido pelo "Manifesto dos 24", quando um conjunto de jornalistas resolveu organizar-se para denunciar o clima interno. Vinte de duas pessoas foram afastadas sem indemnizações.

Em 1991, Saramago ripostava, a esse respeito: "O jornal tinha uma certa linha e não podia transformar-se numa espécie de tribuna onde toda a gente poderia dizer do jornal aquilo que quisesse."

Em Novembro de 1975, a livraria do Diário de Notícias é destruída por uma bomba. Uma semana depois, dá-se o 25 de Novembro, Luís de Barros e um conjunto de jornalistas alinhados com as suas posições são afastados, por sua vez, do jornal.

In Público, As polémicas de Saramago, 9 de Outubro de 1998

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