A imprensa estrangeira

Itália

Até que enfim» (em português)! A expressão de júbilo e alívio atravessou o Atlântico de um lado ao outro, ligando o Brasil e Portugal, passando pela Madeira, Porto Santo, Açores e Cabo Verde, fantasmas de uma mítica Atlântida que hoje fala português."

"O prémio Nobel privilegia finalmente um escritor português, um escritor difícil, pouco respeitador do que se considera literariamente correcto."

La Reppublica

"A palavra como uma arma, desde os dias difíceis do salazarismo até à descoberta da literatura, através do jornalismo. José Saramago libertou a narrativa portuguesa dos complexos precedentes e dá o impulso à geração pós-revolucionária."

L’Unità

"Um mundo assinalado pela angústia e desespero, uma visão radicalmente ateia. Romances históricos e imagens apocalípticas, individuais e colectivas, entre as obras de Saramago. Um prémio Nobel dado mais por razões políticas do que pelo talento. José Saramago não é o melhor dos escritores portugueses, há muitos outros e com tanto talento, mas pouco conhecidos, porque a doce Lusitânia fica no confim da Europa."

L’Avenire (diário da Consagração dos Bispos italianos)

Grã-Bretanha

"O autor que recebeu finalmente o que lhe era devido pela Academia Sueca."

The Guardian

"Pessimista e sério, lúcido e elegante são as palavras para descrever o homem e a sua literatura."

The Idependent

"José Saramago, 76 anos, é considerado o mais sólido baluarte da literatura portuguesa. O seu estilo muito pessoal e nem sempre de fácil acesso ao leitor, e a sua atenção temática fazem dele uma referência imprescindível na narrativa europeia."

BBC

Espanha

"Saramago, um Nobel à ironia e ao compromisso"

El Mundo

"Escritor lúcido, pessimista e crítico, barroco e comprometido com a utopia do comunismo, Saramago é o primeiro prémio Nobel da língua portuguesa, um feito que foi comemorado com júbilo em Portugal e no Brasil."

El País, 9 de Outubro de 1998

"Deram o Nobel da Literatura a um grande escritor e a uma grande literatura, que o mereciam. A notícia não é só o prémio dado a Saramago, mas a um escritor de língua portuguesa a penar na de Eça de Queiroz, de Torga ou de Jorge Amado."

Manuel Vazques Montalbán, El País, 9 de Outubro, 1998

França

"Contrariamente a muitos escritores franceses que permanecem na introspecção do pouco, do quotidiano e do quase nada, José Saramago pratica uma literatura do extremo, do imenso."

Le Figaro

"Ao mesmo tempo, prosador emérito, este céptico flamejante, grande leitor de Montaigne, Cervantes e Kafka, não cessa de visitar as almas contraditórias do seu povo, dos seus sonhos abolidos de conquista à realidade de presente, que envolve com uma melancolia extremamente maliciosa."

L’Humanité

Alemanha

"Ganhou um pessimista numa jangada de pedra."

Frankfurter Allgemeine

"Foi um êxito tardio de um candidato permanente, um pessimista que faz da ironia a sua esperança."

Stuttgarter Nachrihten

Brasil

"Saramago é o criador de um universo literário e filosófico entre o pessimismo e a utopia. É um autor fundamentalmente comprometido com a política do seu tempo que não vacila em abordar questões críticas sobre a sociedade dominante."

Jornal do Brasil

Argentina

"Que Saramago tenha ganho o prémio Nobel tranquiliza quase tanto como se o tivessem levado Pablo Neruda ou Ernest Hemingway ou Garcia Márquez."

Clarín

"Obra que une o realismo mágico com um agudo comentário político e está em conflito com a gramática tradicional, foi traduzida em 25 idiomas e tem peso próprio nos países da América Latina."

La Nacion

EUA

"Um inconformista com sincero gosto particular pelas pessoas comuns, desvios históricos e literários."

USA Today

"É um homem modesto e franzino, parece mais um velho empregado de escritório que um gigante literário. O Nobel é parte do renascimento de Portugal."

Los Angeles Times

Retirado de Público, de Diário de Notícias e de O Expresso, 10 de Outubro, 1998

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