Opinião de Maria Barroso
"Para mim foi um espectáculo extraordinário, primorosamente concebido- a música da Corghi que sublinha cada situação- sonho, utopia ou realidade dura, dramática- com os mais diversos elementos ou fontes musicais (sonatas de Scarlatti, canto gregoriano, canções renascentistas e a espantosa intervenção vocal dos Swingle Singers); a Mise-en-scène arrojada, provocadora de Savary (apoiada evidentemente nos contributos notáveis do cenógrafo Lebois e o figurinista Schmith). Tudo isto sobre um libreto tão habilmente extraído do «Memorial do Convento».
A história ora tocante até às lágrimas, ora dramática e irónica da Blimunda e dos Sete-Sóis com todo o complexo e denso ambiente da época (a passarola, as procissões, trabalho duro dos anónimos trabalhadores em contraste com a frivolidade e grandeza dos senhores etc.)- resultou num espectáculo barroco inolvidável.
Só achei demasiado dura e um pouco chocante a cena dos nus da 1ª parte. Era desnecessário tanto realismo. Teria sido mais rica e impressionante se fosse sugerida sem tanta cópia de pormenores. Opiniões, obviamente...
Valeu a pena! Não é todos os dias que um autor português é representado no estrangeiro e que se constrói um espectáculo com a qualidade da «Blimunda».
Foi a cultura portuguesa que esteve de parabéns e todos nós que desejamos ver imposta aos olhos de todo o mundo.
Honra, portanto, a Saramago e honra a Portugal."
BARROSO, Maria, "Honra a Saramago e honra a Portugal" in Jornal de Letras, Lisboa, 29 de Maio de 1990, pág. 23.
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