Costureiro

Longe vão os tempos em que o nome de José Carlos estava unicamente ligado aos penteados. A sua passagem para a alta costura não foi mais que o concretizar de um sonho que já tinha desde o seu início de carreira em Angola.

A criação de penteados e de modelos são duas áreas muito próximas, e de certo modo indissociáveis, o que facilitou o início da sua carreira como costureiro.

No dias de hoje, a sua marca é sinónimo de qualidade na Alta-Costura em Portugal. O seu impacto nas mulheres da sociedade portuguesa ficou a dever-se não só às suas criações no campo da moda, como também a todos os acessórios, calçado e maquilhagem que interliga da melhor forma para criar um visual completo.

Os seus primeiro passos no mundo da moda foram dados no atelier da mãe do estilista Paulo Matos, mas cedo criou o seu próprio gabinete em Lisboa.

A primeira apresentação que teve do seu trabalho em Alta-Costura foi no Hotel Ritz em 1978. A par dos seus modelos, José Carlos apresentou uma linha de cabelos e de maquilhagem para essa estação. O costureiro consegue ainda apresentar uma linha exclusiva de peles para a marca «Sanko» e outra de sapatos para a marca «Italus». A partir de então, apresentou colecções regularmente, sempre no Hotel Ritz.

Em 1981 dá-se uma viragem decisiva na sua carreira: é convidado a criar visuais para diversas personalidades da sociedade portuguesa e a colaborar na Televisão. Com o sucesso que a crescente divulgação do seu nome lhe proporciona, precisa de encontrar um espaço maior, e muda-se para um novo atelier no ano de 1982. Actualmente ocupa uma antiga garagem na zona do Príncipe Real, que abriu em 1986 com a ajuda do arquitecto Rui Oliveira.

Se no início a sua participação no mundo da televisão se limitava a construir visuais, a partir de 1992 essa intervenção é alargada. José Carlos constitui uma equipa que organiza e produz espectáculos por completo.

O início de carreira de José Carlos foi influenciado pelo que se fez no mundo da moda internacionalmente. Apesar de não conseguir indentificar claramente quem mais o influenciou no seu trabalho, não esconde a sua admiração pela obra de Valentino e de Gian Franco Ferré. Considera que hoje em dia, apesar de ir seguindo atentamente o que se faz lá fora, sente-se mais independente e liberto de influências, consegue fazer o que imagina e gosta. Exemplo disso foi a sua colecção de 1994, em que a única influência de que sofreu foi da cidade em que vive.

As cores que mais utiliza nas suas colecções são o branco, o vermelho, o roxo e o preto. O preto é aliás a única cor que utiliza no seu vestuário: «De há uns dez anos para cá, fiz uma opção - ter as minhas fardas. Os meus blazers são todos iguais, os meus jeans as minhas T-shirts... E a partir daí tudo se torna mais fácil. Já não tenho muito tempo para me arranjar e estar a ver ao espelho... Assim já sei: bate tudo certo.» (Revista TV Guia nº793, Abril de 1994)

Croquis do modelo

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