Lisboa, Hábitos e Tradições -1994
Em Fevereiro de 1994, José Carlos apresentou na FIL a passagem de Modelos de Alta Costura, «Lisboa, Hábitos e Tradições». Esta colecção é uma homenagem à cidade de Lisboa, às suas gentes, cantigas famosas, aos seus hábitos e tradições, e foi apresentada dentro da manifestação cultural Lisboa - Capital Europeia da Cultura. Na opinião de José Carlos, «Lisboa, Hábitos e Tradições foi a tendência de moda que maior prazer me deu estilizar e que maior esforço e trabalho me deu a lançar.». Para criar esta colecção, José Carlos teve de conhecer mais a fundo a cidade onde vive, Lisboa, e esse trabalho de pesquisa levou-o a perceber melhor os costumes e cultura específica desta cidade. |
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Passar o espírito de Lisboa para uma colecção de moda requereu muita inspiração e imaginação... José Carlos encontrou tudo nas ruas da cidade:
Primeiro que tudo, a cor da cidade, o branco, os palácios cor de rosa e bege, o verde dos portões, os roxos dos teatros e das igrejas, onde também se encontram as talhas em dourado e prateado... Lisboa tem o Tejo, o azul, as calçadas de empedrado preto e branco, cores que também se encontram na bandeira... «Lisboa tem os fados e as guitarradas, as igrejas, as touradas, os eléctricos amarelos... Foi tudo isso que transportei para a minha colecção: cores, materiais, formas, volumes, símbolos, acessórios...»
Sem dúvida que as cores dominantes desta colecção são o preto e o branco. José Carlos também explorou os rosas, bege e os vários tons de amarelo que se encontram nas casas de Lisboa, e nos azulejos dos séculos XVII e XVIII, as lanternas de iluminação pública...
Das estátuas e ferros forjados das varandas e portões das casas lisboetas, José Carlos guardou o bronze e o verde escuro. Os prateados e dourados vêm quer das talhas das igrejas como do brilho da noite em Lisboa.
Até na concepção dos forros dos modelos, a inspiração partiu de Lisboa, com as caravelas e os corvos a servirem de padrão. José Carlos também utilizou os triângulos que se encontram na bandeira de Lisboa, e as casaquinhas bordadas das touradas nacionais. Do fado, o costureiro retirou o vermelho e o preto, e aproveitou os xailes, as franjas e os galões. Nem os Santos Populares foram esquecidos, com os seus enfeites e cores garridas.
As formas dos seus modelos fazem lembrar o trabalho retorcido do ferro forjado, na época manuelina e barroca. Nos bordados, são notórios os desenhos das varandas em ferro, e os desenhos que encontramos na calçada portuguesa.
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José explora a silhueta feminina ao máximo. Põe em evidência as pernas através de saltos altíssimos, usa o curto em contraste com o muito comprido. No que diz respeito a materiais, usa tecidos fantásticos, bordando-os numa permanente evocação e jogos de referência. A variedade é muita, desde cachemiras, malhas de seda, tricots, trabalhos em lã, a sedas grossas e tafetás. Também se encontram materiais modernos como veludos elásticos e martelados, rendas enriquecidas a veludo e cetim e ráfias com lã. José Carlos também recorre a peles de pêlo, como o mouton, raposa, vison e astrakan, couros prensados e camurças. Mais uma vez, os adereços vieram enriquecer esta colecção: José Carlos apresenta-nos uma linha de sapatos, luvas, chapéus malas e cintos, e uma variada gama de acessórios como brincos, colares, pulseiras e alfinetes. |
José Carlos considera que este foi um dos seus maiores desafios, porque teve de provar que temas portugueses também podem servir como inspiração para uma colecção.
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