Cabeleireiro, não! Barbeiro.
É em Amesterdão, para onde parte em 1976, que António Joaquim aprende o ofício de cabeleireiro.
Quando regressa a Lisboa, um ano depois, lança-se como pioneiro dos cabeleireiros unissexo em Portugal, abrindo um salão no Centro Comercial Imaviz. A experiência não é duradoura e após uma breve passagem por outro centro comercial, decide abrir uma barbearia na Baixa Lisboeta. "Uma lojinha original, decorada a seu gosto", assim a descreverá Manuela Gonzaga num dos seus artigos sobre o cantor. E continua: "com as paredes pintadas de carmesim, toalhas da mesma cor, vestidos lindos e loucos que levaram a bailes e festas meninas que hoje são avós, cosméticos e perfumes dos anos loucos, tudo com um toque tão pessoal".
É nessa barbearia unissexo que António conhecerá entre os seus clientes, figuras do meio musical como Luís Vitta e Júlio Isidro que o ajudarão decisivamente no início da carreira.
António assumir-se-á sempre como barbeiro, nunca como cabeleireiro, porventura para fugir às vaidades que tanto lhe haviam desagradado nos primeiros anos de profissão. Mas cortar cabelos vinha apenas em segundo plano, era uma profissão a que achava piada, diria numa entrevista depois do lançamento de "Anjo Da Guarda". A sua paixão fora sempre e continuava mais do que nunca a ser a música, mas mesmo assim considerava-se melhor a cortar cabelos do que como cantor. Modéstia ou medo da queda que nunca viria a sofrer.
Hoje, no nº 70 da R. de S.José está um bazar. Da barbearia de Variações ficaram apenas as memórias e algum desprezo dos vizinhos. "O quê, o António Variações já morreu..."
GONZAGA, Manuela, "António Variações - A morte é uma viagem com os seus perigos" in revista TV Top, Lisboa, nº 173, 22 de Junho de 1984, p. 34
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