Entre Braga e Nova Iorque

António Variações surge na altura em que da euforia inicial do movimento do rock português pouco mais restava que um sem número de bandas e intérpretes obcecados pelos sons de guitarra com poucas ideias criativas e de qualidade discutível.

O primeiro trabalho discográfico do ainda desconhecido barbeiro minhoto adivinha-o já como a alternativa desejada na música popular, o que se irá confirmar um ano depois com o seu primeiro álbum.

Mas desde logo, Variações lança um problema insolúvel aos críticos; a definição e enquadramento do seu trabalho num estilo ou género musicais. Problema que o cantor não entende, na medida em que não é sua intenção enveredar por um rumo musical definido.

A melhor caracterização do trabalho de Variações, e que ainda hoje perdura, será da sua própria autoria ao defini-lo como estando entre Braga e Nova Iorque.

Variações reúne o folclore, os sons cosmopolitas do rock, pop e blues e o fado numa fórmula mágica que tornará para sempre único e inimitável o seu estilo musical. Não o faz por obrigações técnicas ou exigências da editora, fá-lo assim porque são essas as sonoridades que traz dentro de si e tão bem sabe adaptar aos poemas simples que escreve.

É com esse estilo mesclado que conquista o público e também os músicos que o irão acompanhar na realização dos seus trabalhos discográficos, muitos deles hoje herdeiros dos seus ensinamentos.

António tinha, porém a consciência que para continuar a carreira teria de fazer música comercial, vendável, mas tentava conciliar o melhor possível essa exigência com a qualidade que colocava acima de tudo o resto.

Queria ser um cantor popular, não popularucho - ou pimba, como se diria hoje - e conseguiu-o da forma mais simples, da forma que ele só ele o poderia ter feito. Sendo ele próprio, aguentando as críticas destrutivas e sabendo sempre aceitar os elogios com a humildade que nunca deixou que o sucesso destruísse.

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