As palavras de Variações
Diz-me que solidão é essa. Que te põe a falar sozinho. Diz-me que conversa estás a ter contigo. (excerto de "Sempre Ausente" do LP "Anjo Da Guarda" )
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Excerto da música Sempre Ausente - formato Windows Media |
António Variações podia ter sido um daqueles poetas populares que a muito custo conseguem divulgar a sua obra em pobres edições de autor. Mas isso não teria decerto sido suficiente para saciar o seu sonho de ser famoso. E António conseguiu transformar as suas palavras simples em canções. Conseguiu sobretudo com elas transmitir o que lhe ia na alma, recusando os estereótipos das canções de amor ou de intervenção. |
Nos seus textos, Variações fala sobretudo de si próprio, das suas vivências, dos seus desejos e desalentos. Do mundo que o renegava e da luta que com ele tratava em busca de liberdade. O tempo aparece com uma figura decisiva. O tempo que ele próprio dizia conseguir ultrapassar, mas também um futuro que se lhe apresentava incerto. Um futuro que parecia temer como se adivinhasse que esse tempo lhe fugia e nada podia fazer para o parar.
A instabilidade emocional, a sua procura constante de coisas novas e diferentes é outros dos seus temas de eleição. "Tenho pressa de sair. Quero sentir ao chegar, vontade de partir para outro lugar "é apenas um excerto de uma das suas conhecidas canções, "Estou Além" e ilustra sem margem para dúvidas a sua personalidade atribulada.
Para entender Variações, é preciso sobretudo sentir Variações através das suas palavras e não através das palavras dos outros. Nada melhor que os seus poemas poderá algum dia caracterizar as suas vivências, desejos e frustações. Nada conseguirá algum dia mostrar uma tão grande vontade de viver como a revelada nos textos autobiográficos de Variações.
Se lermos com atenção os poemas de Variações, impossível será não nos revermos, pelo menos em alguns deles. Porque no fundo, aquele António não era assim tão diferente de todos os outros. Só teve foi a coragem de se expôr.
[ CITI ]