Andarilho

"Às vezes pergunto o que me ficou de todas essas passagens por África e por Coimbra e por outros lados. Sou, no fundo, fruto de muitas gentes, de muitos lugares, de muitos dissabores".

A vida de José Afonso foi sempre marcada por um constante andar de terra em terra, umas vezes por necessidade, outras por vontade própria.

A sua infância foi passada entre Portugal e África. Até 1940, ano em que foi para o liceu em Coimbra, esteve em Aveiro, Bié e Luanda (Angola), Moçambique e Belmonte.

O continente africano influenciou profundamente José Afonso. "África é quase uma pátria mítica para mim". Os anos que passou em Angola e Moçambique, durante a infância e depois como professor marcaram-no a nível pessoal e da sua carreira. A sua música contém imensas referências a África, no ritmo, no utilizar constante dos instrumentos de percussão.

"Nunca me conformei com a ideia de ter abandonado África, e só mais tarde é que verdadeiramente troquei África por Coimbra. Troquei todas essas recordações, uma espécie de liberdade física que gozava em África, pelo mito de Coimbra".

Depois do liceu e da universidade em Coimbra, começa a ganhar a vida como professor, leccionando em várias escolas do país e percorrendo várias regiões de Portugal.

Durante os anos em que dá aulas mantém sempre acesa a sua ligação com Coimbra e o meio estudantil. É constantemente solicitado para participar no Orfeão Académico e na Tuna Académica da Universidade, fazendo com estes grupos várias digressões, inclusive por África. Mais uma oportunidade que tem para conhecer gentes e lugares.

A sua faceta de andarilho vai afirmar-se sempre na sua carreira musical. São as gravações de discos no estrangeiro, os inúmeros espectáculos que dá por todo o país e por outros países, abraçando causas e motivos antes e depois do 25 de Abril, com ou sem censura.

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