Discos no estrangeiro
Vários discos de José Afonso, sobretudo até 1974, foram gravados fora de Portugal.
A primeira oportunidade que o cantor tem para ir ao estrangeiro gravar é em 1970, quando vai a Londres registar "Traz outro amigo também". Nas gravações conhece o cantor brasileiro Gilberto Gil, na altura exilado na capital inglesa com Caetano Veloso.
"Nos anos seguintes, mais concretamente em 1971, 1972, 1973 e 1974, José Afonso só gravou no estrangeiro, o que lhe permitiu não só atingir uma qualidade de registos na altura indisponíveis em Portugal, como sobretudo trabalhar com outros músicos e ensaiar novas experiências e vivências musicais, oportunidades que ele nunca desperdiçou".
Nos seus discos, o cantor trabalha com vários músicos estrangeiros, como o percussionista francês Michel Delaporte, ou com músicos portugueses exilados como José Mário Branco. José Afonso inicia colaboração, que se viria a repetir, com estes dois músicos em 1971, nas gravações de "Cantigas do Maio", em Paris.
"Eu vou ser como a toupeira", o disco de 1972, é gravado em Madrid e também aí Zeca colabora com outros artistas, como o seu amigo e cantor galego Benedicto e alguns membros do grupo "Água Viva".
"Com o Zeca era assim, as experiências musicais sucediam-se e com Gilberto Gil, com Benedicto ou com Janine (cantora de jazz que participou em "Venham mais cinco"), saltava-se da música brasileira, para o folclore galego e logo para o jazz. E assim o Zeca se ia enriquecendo e a sua música, sem romper com as raízes, se ia universalizando".
[ CITI ]