Nacional-cançonetismo
Expressão utilizada para definir as canções e o tipo de música que o regime promovia e incentivava, nas rádios e na televisão. Canções que "iludiam" com banalidades a situação do país, sendo também um veículo de propagação das ideias do Estado Novo.
Temas como "o pobre mas honrado", a luta pela pátria, a casa portuguesa, eram divulgados e ajudavam a construir uma ideologia que assentava na apatia e humildade das populações.
José Afonso distanciava-se o mais possível dessa música. Foi uma reflexão sobre isso que motivou a música "Os vampiros":
"Numa viagem que fiz a Coimbra apercebi-me da inutilidade de se cantar o cor-de-rosa e o bonitinho, muito em voga nas nossas composições radiofónicas e music-hall de exportação. Se lhe déssemos uma certa dignidade e lhe atribuíssemos, pela urgência dos temas tratados, um mínimo de valor educativo, conseguiriamos talvez fabricar um novo tipo de canção cuja actualidade poderia repercutir-se no espírito narcotizado do público, molestando-lhe a consciência adormecida em vez de o distrair. Foi essa a intenção que orientou a génese de "Vampiros", entidades destinadas ao desempenho duma função essencialmente laxante ao contrário do que poderá supor o ouvinte menos atento. A fauna hiper-nutrida de alguns parasitas do sangue alheio serviu de bode expiatório. Descarreguei a bílis e fiz uma canção para servir de pasto às aranhas e às moscas".
[ CITI ]