O 16 de Março

O 16 de Março tratou-se de uma acção empreendida pela ala do Movimento dos Capitães afecta ao general Spínola. O Regimento das Caldas da Rainha foi o único que se lançou na aventura do derrube do regime mas tal propósito não vingou. No entanto constituiu teste aos dispositivos de defesa do Governo,   fomentou uma corrente de solidariedade entre os oficiais presos e acentuou a necessidade de uma operação militar solidamente organizada.

A tentativa de golpe acreditou na hipótese de uma falência irreversível do aparelho de Estado que se apresentava de forma pouco decente e respeitável, bastando, para tal fazê-lo tremer com um pequeno terramoto.

O país não acreditava que fossem os militares a dar a estocada de morte no Governo, todavia, o 16 de Março estabeleceu o culto militar.

As opiniões acerca do evento são divergentes, porém ele teve o condão de despertar nos portugueses a sensação de que o fim do fascismo urgia e estava próximo.

A partir dessa data só havia uma questão na mente de opinião pública que era o desejo forte de derrubar o regime vigente. A população percebeu que o objectivo do Regimento das Caldas era a implantação de uma nova forma de vida do Estado.

Foi um culto militar, o16 de Março. Aí começou a reabilitar-se aquilo que até à data fora simplesmente a tropa e passou a denominar-se de Exército. A data pode ser vista como um 25 de Abril honoris causa sem loucura popular, mas como uma loucura a preparar a outra. Os efeitos de adesão que desencadeou valem muito mais do que os bombardeamentos que Vendas Novas não fez.

Movimento dos Capitães | António Spínola

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