Angola

Ao longo do mês de Maio de 1974, o Dr. Agostinho Neto, Presidente do Movimento para a Libertação de Angola (MPLA) recusa-se depor as armas e afirma os seus intentos de prosseguir a guerra pela libertação do povo angolano.

Ainda em Maio (20) dá-se a união de quatro partidos políticos angolanos: Partido Cristão Democrático de Angola (PCDA), o Movimento de Defesa dos Interesses de Angola (MDIA), o Partido Democrático Nto-Bako de Angola e o Partido Ressemblement fu Peuple Angolanais (PRDA). Esta fusão tem como objectivo criar uma frente unida, multirracial, democrática e pacifista. O novo partido adopta a designação de Partido Cristão Democrático de Angola.

Dois dias depois, 22 de Maio, Mário Soares reconhece o MPLA, a FNLA e a UNITA como interlocutores legítimos na mesa do diálogo e, no final do mês, o MPLA exige a criação de uma frente unida para a independência de Angola.

O governador-geral de Angola toma posse no dia 11 de Junho e três dias depois é assinado um acordo entre a UNITA e uma delegação do MFA para a cessação das hostilidades.

Durante o mês de Julho dão-se incidentes em Luanda que provocam dezenas de mortos e feridos. A 22 do mesmo mês a JSN cria uma junta Militar para o Estado de Angola e no dia 24 Rosa Coutinho é empossado como Presidente da Junta Governativa para o Estado de Angola.

Spínola produz uma afirmação histórica ao reconhecer o direito de Angola à independência a 27 de Julho.

É em Agosto, dia 9, que surge o programa da JSN para a descolonização de Angola onde se afirma que todos os bens dos cidadãos angolanos serão protegidos independentemente da sua raça.

Cabinda vem reivindicando uma independência separada do Estado de Angola e os cabindas desdobram-se em manifestações.

A 21de Agosto a FNLA demonstra à ONU a sua disposição para negociar com Portugal. No dia seguinte, Savimbi defende a UNITA e apela para o fim dos confrontos.

A formação do Governo Provisório de Angola onde pontificam membros dos movimentos de libertação, acontece a 4 de Setembro. Esse mesmos movimentos participam numa conferência promovida por Spínola sobre o futuro do território.

No mês de Outubro têm lugar acordos com a FNLA (dia 12 em Kinshasa) e com o MPLA (dia 22). A tomada de posse do Governo Provisório realiza-se no dia 21.

A situação no território conhece desenvolvimentos entre 20 e 25 de Novembro em que Melo Antunes encontra Agostinho Neto em Argel, o MPLA dispõe-se a integrar o Governo e FNLA e UNITA chegam a acordo em Kinshasa quanto ao futuro do novo país.

O ano de 1974 termina com a criação do cargo de Alto-Comissário para Angola.

Mário Soares | Melo Antunes

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