Democratização

A democratização havia sido plenamente concebida e desencadeada por militares, à margem das poucas forças políticas e apoios civis. A via para a democracia adivinhava-se agreste e sinuosa pela virgindade do povo português no que respeita a práticas democráticas.

O início do processo foi de inteira responsabilidade das forças militares a braços com quezílias internas, apesar do 1ºde Maio de 1974 ter demonstrado o vigor da massa popular, sobretudo os grupos afectos a facções de esquerda (partidos e sindicatos).

A partir de 28 de Setembro, PCP e respectivos apoiantes do MFA foram tomando posição de liderança na condução dos destino da nação despertando reacções do PS e da ala moderada do MFA. Spínola tentou impor a formação de um Estado federal e um regime presidencialista. Nomeou um Primeiro Ministro conservador liberal, Adelino Palma Carlos e tentou neutralizar o MFA que se opunha ao seu projecto de organização do Estado.

A 13 de Junho, o Presidente da República convoca uma reunião com o intuito de obter uma base de apoio que lhe permitisse colocar as suas aspirações em prática, mas o seu esforço não frutificou.

A agitação social era visível e assistia-se a uma tendência esquerdizante nas instituições e na sociedade. Ao tomarem consciência disto, Spínola e Palma Carlos pretendem que o cargo de Presidente da República seja sufragado com brevidade, o que não é concedido.

A demissão de Palma Carlos em Julho, leva Vasco Gonçalves do MFA ao desempenho da função. Cresce a força do MFA.

A inviabilização definitiva do plano descolonizador de Spínola consuma-se pela homologação da lei nº7/74 que reconhece o direito dos povos à autodeterminação. Todavia não abdica da condução do processo e procura plataformas de entendimento com o aparelho militar, mas os seus apoiantes reduziam-se quase exclusivamente a grupos de extrema direita, facto acentuado depois da criação do COPCON.

Em consequência das ocorrências de 28 de Setembro, Spínola renuncia ao cargo de Presidente da República.

PCP e MDP/CDE aproveitam para reforçar a sua influência no aparelho de Estado e na Comunicação Social e o PS alerta para a necessidade da realização de eleições. Era o fracasso da via presidencialista e federalista, substituindo Costa Gomes o demissionário Spínola.

Todos estes factores constituem a génese da restruturação do MFA. As divergências ao nível da descolonização deslocam-se agora para o plano ideológico do sistema de sociedade a implantar, sem que a primeira via spínolista se tivesse diluído, isto conduziu a um quadro de complexidade política.

1º de Maio de 1974 | 28 de Setembro de 1974 | MFA | António Spínola

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