O Movimento dos Capitães

A sua primeira reunião decorre ainda em 1973 (9 de Setembro) com uma fachada de reivindicação corporativista, cujo real objectivo era contestar a política colonial do Governo, bem como reclamar contra as teses integracionistas e de ultadireita do autodenominado Congresso dos Combatentes do Ultramar. Dessa reunião nasce um documento subscrito por cerca de 400 oficiais no activo.

O Movimento politiza-se cada vez mais rapidamente, mesmo contando com as sucessivas concessões do Governo. Para isso contribuiu, também, o ataque da população branca da Beira, Moçambique, aos militares aí estacionados em Janeiro de 1974.

Na reunião de 5 de Março em Cascais participam já ex-milicianos que aderem ao Movimento. É aprovado o primeiro documento programático: O Movimento das Forças Armadas e a Nação. Em consequência várias figuras de proa do Movimento são transferidos dos seus postos e Spínola e Costa Gomes são demitidos.

Toma forma a vontade de desencadear uma posição de força, apoiada por todas as facções do Movimento dos Capitães. Todavia, a ala afecta a António Spínola reage de pronto às demissões e transferências efectuadas pela Governo e lança-se, de forma precipitada e sem planificação adequada, numa ofensiva contra o Governo. É o 16 de Março. Com o aborto dessa operação caberá ao major Otelo Saraiva de Carvalho , com Vasco Lourenço e Vítor Alves, a direcção do Movimento e a preparação de uma acção devidamente planificada.

António Spínola | Oficiais de Abril

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