Quinze Dias que Transformaram os Hábitos

Esses quinze dias de Abril a Maio de 1974 foram vividos de forma intensa, como se se pretendesse recuperar de um só fôlego todo o tempo perdido. Manifestações, organizações, saudações à JSN, novos nomes e novas siglas, tudo sucede em catadupa, num ritmo frenético.

São as assembleias sindicais que mais sugestões de política cultural apresentam. Nesse curto período mudam os sindicatos das actividades culturais e criam-se novas organizações.

Nascem exigências de apoio para a democratização da cultura. Era urgente apostar na divulgação.

A resposta do Poder fez-se sentir ao nível do Teatro, todavia outros sectores não viram apoiados a explosão organizativa que aí eclodia.

É ainda neste período que são colocadas no mercado nacional as obras censuradas. Realizam-se espectáculos de canto livre em Lisboa e no Porto e os filmes já passam em versão integral.

Os ritmos dos diversos sectores da cultura são díspares e os únicos artistas que pareciam necessários à Revolução eram os cantores livres.

As hierarquias e as fontes de prazer tinham mudado bruscamente.

[ CITI ]