Revolução Cultural

A Revolução Cultural foi uma aspiração forte e real de uma parte significativa dos intelectuais e artistas.

Os trabalhadores não intelectuais da cultura encetam lutas que visam a mudança da concepção de Cultura, uma luta contra a Cultura de minorias. Pretendiam acabar com os favorecimentos na atribuição de subsídios, sanear administradores, reduzir a amplitude salarial. Ainda assim, as lutas que mais colocam os intelectuais à prova são as que aqueles trabalhadores empreendem no sentido de controlarem o produto cultural.

Os intelectuais não conseguiam encaixar-se na Revolução, acabando por dispersar-se, prosseguindo noutros trilhos que não o da transformação do país pelo trabalho cultural.

A classe artística aproxima-se progressivamente do Poder e os sindicatos destes perdem influência. Desaparece a ideia de cultura como contrapoder, pois os nomes da Cultura ocupam cargos no desempenho do Poder ou em organizações que o influenciam.

Apesar disto, este é um tempo de conflitos duros com o poder que reflectem as oposições habituais entre direita e esquerda e um novo antagonismo entre PS e PCP.

Perto do final de 1974 um grupo de figuras elabora um documento que aponta a falta de liberdade de imprensa e de expressão, criticando não de forma explícita o PCP.

Os intercâmbios com o estrangeiro intensificam-se, muito particularmente com os países do Leste.

O balanço do fim do ano de 1974 em termos culturais é de desilusão. A Revolução Cultural não é tão célere como o desejado, no entanto toma-se consciência de que a cultura que se vai praticando e consumindo já não é a mesma.

A questão da descentralização continua sem resolução, ainda que tenha sido apontada como prioridade pelo Governo e pelo PCP.

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