Três meses efervescentes

A realidade política e social constituem obstáculo e incentivo à produção cultural.

O Governo constrói uma Lei Orgânica que divide os assuntos culturais pelos ministérios da Cultura e da Comunicação Social. Mas neste espaço de três meses as decisões destinam-se a simplesmente a desbloquear dificuldades financeiras e à constituição de uma Comissão ad hoc para a Comunicação Social.

Facto assinalável para a cultura nacional é o regresso dos emigrados, entre eles prestigiados professores universitários, cantores de intervenção, escritores.

A política continuava a ser a mão controladora da cultura mas, agora, sem a força repressiva do lápis azul da censura. Nasce a cultura popular, fora das classes artísticas que o SNI/SEIT havia votado à eterna sepultura. A canção popular ganha protagonismo cultural, no entanto, é a arquitectura que empreende uma viragem mais duradoura.

A escrita literária paralisou, o teatro de revista começou a mudar e nos cinemas assiste-se às reposições de Verão.

As lutas laborais também se dão no campo da cultura desencadeiam crispação entre concepções culturais opostas. As reivindicações são feitas por grupos onde pontificam nomes de prestígio, com destaque para membros afectos ao PCP.

Era notória a ausência de uma política cultural e não havia indícios de ela estivesse a ser elaborada.

[ CITI ]