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Em 1987, Xanana Gusmão declara as FALINTIL como exército de libertação nacional sem qualquer ligação partidária (estavam até à data ligadas à FRETILIN). Este foi um passo importante para a união de um povo numa única e mais forte Resistência. Um ano mais tarde, Xanana criou o CNRM (Conselho Nacional da Resistência Maubere) cujo objectivo era abrigar todas as alas resistentes de Timor-Leste - a FRETILIN, a UDT, as FALINTIL, a Resistência clandestina, a frente diplomática no exterior e toda a população que quisesse participar.

O CNRM elaborou um plano de paz para Timor-Leste e fez-se representar no estrangeiro por um comité de diferentes elementos da Resistência espalhados por todo o Globo. Em 1990, José Ramos-Horta foi apontado como representante especial do CNRM, ficando a seu cargo a tarefa de alertar os vários países para a situação crítica do povo maubere. Dentro de fronteiras, o CNRM funciona através das FALINTIL e dos estudantes, na sua maioria, uma segunda geração que já nasceu sob o regime indonésio, mas que luta pela liberdade e pela independência que nunca conheceu. Além das evidentes preocupações políticas deste Conselho, a vertente sociocultural não foi descurada, sendo alguns dos objectivos para Timor-Leste livre assegurar uma educação e saúde gratuitas e promover a preservação da identidade do povo através de uma estreita cooperação com Portugal.

No final da década de oitenta, um importante acontecimento trouxe Timor-Leste à ribalta: o Papa João Paulo II, de visita à Indonésia, teimou insistentemente para que o território fosse incluído no programa. Para um povo com uma tradição católica bastante enraizada, e para quem a Igreja é um refúgio, esta acção teve um significado de esperança. D. Ximenes Belo, nesse sentido, tem tido um papel fundamental junto de organismos internacionais, ao denunciar as violações dos direitos humanos, protegendo e aconselhando os perseguidos pelo regime indonésio. Em 1991, estava marcada uma visita de parlamentares portugueses, mas foi cancelada à força em Outubro.

Um outro elemento da Resistência tem vindo a assumir um papel de destaque: a resistência urbana não armada, constituída pela maioria dos estudantes. Isso verificou-se a 12 de Novembro de 1991, quando foi organizada uma manifestação pacífica, no cemitério de Santa Cruz, por altura do funeral de uma vítima da repressão. O governo indonésio, mais uma vez, mandou reprimir os manifestantes. Foram mortos mais de 300 timorenses nesse dia e as imagens do massacre de Santa Cruz, gravadas por um jornalista estrangeiro, correram mundo. Só então os governos das grandes potências se viram forçados a condenar a atitude do exército, mas sempre cautelosamente, pois os interesses económicos sobrepõem-se, por enquanto, aos direitos humanos.

Um ano depois, o líder da Resistência, Xanana Gusmão foi detido numa cilada em Díli, passando o comando das FALINTIL para Nino Kónis Santana (em princípios de 1998 soube-se que Kónis Santana falecera vítima de um acidente). Embora o líder da guerrilha esteja preso, o povo timorense continuou a resistir, tal como tem feito ao longo dos últimos 23 anos, nunca aceitando a subjugação ao regime do presidente Suharto. Deu provas disso, quando, em Novembro de l996, uma campanha devastadora foi organizada na imprensa indonésia contra D. Ximenes Belo, vaiado em Jacarta por 3 mil manifestantes recrutados pelo governo; três dias depois, quando chegou à sua cidade, foi recebido por cerca de 200 mil timorenses que davam vivas ao bispo, a Xanana e à liberdade.

A Indonésia continua, impune, a massacrar e a torturar o povo timorense, sem conseguir, todavia, a sua rendição - tornou-se cada vez mais frequente a vinda de estudantes timorenses para Portugal, depois de pedirem asilo político nas embaixadas estrangeiras em Jacarta (nunca concedido). Desde 1993, decorrem conversações entre Portugal e a Indonésia, sob os auspícios da ONU, e, embora pouco frutíferas, mantém-se a esperança de um futuro livre e democrático para Timor-Leste.

Nota de ultima hora:

A demissão de Suharto é incontestável e noticiada pelos media de todo o mundo. Mas o que é facto é que, longe da sombra que se abate sobre o povo timorense se ter dissipado, a Indonésia prossegue a sua luta pela dominação.

A cortina de terror ainda não foi levantada, não obstante os esforços desenvolvidos e o último desenrolar dos acontecimentos. Será que esta saga alguma vez terá fim?

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