A Relação Portugal-Timor
Em 1520, os Portugueses atracaram em Timor, em busca da madeira de sândalo. Aí permaneceram por mais de 400 anos, dividindo a ilha com os holandeses. Os séculos de regulamentação portuguesa foram séculos durante os quais os recursos de Timor-Leste - sândalo e, mais tarde, café - eram canalizados para o desenvolvimento de Portugal, tanto quanto da própria ilha. Todavia, apesar de Timor-Leste parecer subdesenvolvido aos olhos ocidentais, possuía uma economia de base comunitária extremamente desenvolvida, a qual respondia às necessidades de todos na sociedade. Sob o domínio português, a organização da aldeia permaneceu imperturbável...
Os primeiros portugueses a instalarem-se definitivamente eram missionários que vinham de longe com o intuito de espalhar a fé cristã. E apesar de os timorenses acreditarem num único deus, Marômac, e de terem resistido à influência de outras religiões, nomeadamente a hinduísta e a muçulmana, muitos converteram-se ao cristianismo e baptizaram-se.
Em 1640 havia já vinte e duas igrejas cristãs em Timor e a presença constante dos missionários levou à instalação de outros portugueses, sobretudo comerciantes, que acabavam por constituir família com as mulheres indígenas.
No final do século XVI, os holandeses iniciam a disputa pelos arquipélagos da Insulíndia, disputando o comércio do Oriente aos portugueses. E após todo um cenário de guerra e paz, a ilha de Timor acabaria por ficar subjugada a duas esferas de influência mercantil: a holandesa, a oeste, e a portuguesa, a leste.
Apenas no século XVIII chegam governadores em nome do rei português, os quais estabelecem relações amistosas e favoráveis com a população, envolvendo chefes timorenses na estrutura governamental e ficando, assim, a metade Este da ilha a fazer parte das colónias portuguesas, juntamente com o enclave de Oe-Cusse e o ilhéu de Ataúro. Laços de parentesco floriram; plantas, animais e culturas viajaram a bordo de embarcações portuguesas e timorenses. Ao longo dos séculos efectuaram-se trocas de tudo um pouco.
Portugal aguentou Timor-Leste tanto tempo quanto possível, não obstante as revoltas frequentes, mas em 1974 os portugueses travaram uma batalha em casa. A "velha guarda", que tenazmente segurava as colónias do Império Português, foi destronada e os novos líderes estavam desejosos de deixar falar a independência. Em apenas alguns meses, três grandes partidos haviam eclodido em Timor-Leste, cada qual com diferentes plataformas. A UDT (União Democrática Timorense) manifestou o desejo de continuar filiada em Portugal; a FRETILIN (Frente Revolucionária para um Timor Leste Independente), advogando o socialismo e reformas democráticas; a APODETI, contendo algumas centenas de membros que queriam a integração na Indonésia.
Para saber mais:
[ Invasão e Resistência | Frentes Políticas em Timor-Leste | Os Antepassados eram Irmãos... ]
[ CITI ]