O Retrato

"Menina bonita da época de ouro do cinema português, Beatriz Costa deixou para a posteridade a imagem de pessoa irreverente, além do cabelo que é como que a sua imagem de marca"

"Gostaria de ter um ministro das finanças saloio - prefere a actriz Beatriz Costa", in Jornal Diário de Notícias, 19 de Março 1990,s.e., s.l.

A imagem que de Beatriz nos fica é a de uma mulher feliz; uma imagem que pretendeu manter a todo o custo, sempre gozando a vida com a mesma sagacidade da juventude.

A Figura

De olhos de um negro de azeviche, muito vivos e expressivos, e de fartos cabelos negros, habitualmente penteados com a franginha que a popularizou; de expressão sorridente e irrequieta, de gestos abundantes, voz fresca e incisiva, o rosto desta saloia de 1,53m de altura transmite muita ternura, malícia e um encanto em que sobressai sincera alegria (tendo sido considerada a marca distintiva de Lisboa).

A Pessoa

De carácter muito sincero e expansivo possuía uma alegria e alacridade vivíssima e esfusiante.

Não era uma pessoa gulosa, preferindo até os ácidos e os azedos aos doces.

O seu espírito prático traduzia-se na sua extrema simplicidade no trajar e, mesmo sendo daltónica, preferia o verde às outras cores.

Em termos de espetáculo, vibrava com um bom jogo de futebol ou com uma tourada, mas o que mais apreciava era o Teatro e o Cinema, em especial de filmes históricos e de grandes revistas cinematográficas: no Teatro admirava Nascimento Fernandes; no Cinema, Charles Boyer e Greta Garbo. Também gostava de Música, dos clássicos, e como autor Schubert.

Adorava viajar, salientando o Brasil nas suas preferências, mas acima de tudo amava a sua pátria.

Quanto ao desporto, remar, nadar, montar a cavalo e caminhar a pé eram as suas actividades físicas de eleição.

Ouvinte atenta da TSF era ainda apreciadora de um bom livro, apesar de só ter aprendido a ler aos 13 anos de idade (e sozinha) apreciava os portugueses Acácio Paiva, Manuel da Fonseca, Miguel Torga, Virgílio Ferreira , António Gedeão, José Gomes Ferreira, Boto, Aleixo e Fernanda Leitão; e a literatura russa, principalmente Dostoiewsky.

Sempre gostou mais da praia do que do campo, mas adorava flores e animais. As crianças eram outra causa de sua alegria, admitindo continuamente a importância de um filho num lar.

[ CITI ]