O Trevo de Quatro Folhas

Filme dirigido por Chianca de Garcia e estreado no Tivoli a 1 de Junho de 1936, cuja produção foi levada a cabo pela Sonarte Lda. Tal como o romance original, o filme iria intitular-se "O Trevo de Quatro Folhas". Inicialmente não era este o filme em projecto, mas sim versão cinematográfica do romance Camiliano "Amor de Predição". Porém, pelo facto de já se terem realizado dois filmes de reconstituição histórica, pensou-se que talvez o público já estivesse um pouco cansado e optou-se por um argumento de comédia ligeira passado naquela época e mais próximo do espectador. Tudo foi pensado de maneira a provocar o interesse do público e em particular do público do Norte: foi o Porto a cidade escolhida para a realização das filmagens; escolheram-se intérpretes que provocassem a afluência do público e pudessem assegurar o êxito, de entre eles citamos Beatriz Costa - grande nome do teatro e de destaque nos palcos e na tela - no duplo papel de Manuela (a rapariga apaixonada) e Rosita (a prostituta); Nascimento Fernandes - Zé Maria (o homem que se confundia com toda a gente e apaixonado por Manuela); Procópio Ferreira - Juca.

"O Trevo de Quatro Folhas" era um filme onde não faltavam canções, até porque naquela época não se compreendia um filme português sem canções. Utilizaram-se cenários amplos, construídos num estúdio, sendo preferida a realização em cenário às filmagens num teatro autêntico (quase regra anteriormente) pois deste modo havia uma maior facilidade de observação de variados pontos de vista, apesar de encarecer o custo da produção. Ainda para este filme foi feito um concurso lançado nas páginas de o "Cinéfilo" para a escolha de dois participantes para o elenco (tal como para a "Canção de Lisboa" ) - era uma época em que os jovens de ambos os sexos ambicionavam tornar-se artistas de cinema.

A propósito da produção do filme, Chianca de Garcia fez o seguinte comentário: "… embora tentasse mudar de processos, nem por isso saí do critério, convencionado como comercial. Apenas num gesto de audácia, quebrei a tradição das árvores e dos quadros líricos que substituí por cenários agradáveis relativamente amplos e por uma história com certa ligação e mormente tentei criar um espectáculo vivo, sem estabelecer a confusão de mascarar a ideia da raça, com imagens de guarda roupa. Não juntei os clássicos elementos de pitoresco, para erradamente inventar um estilo de cinema português. Procurei apenas com o generoso auxílio dos meus colaboradores, contar uma história, vivida em imagens. E como foi isto que pretendi é isto que honestamente venho confessar-lhe. E deixemos a raça em paz! A raça e o sol, estilo português, julgo apenas excessivo que a propósito da nossa produção, forçadamente comercial, se fale em raça e no estilo do cinema português, coisas bem distintas daquilo que até hoje tem sido possível produzir em Portugal."

Infelizmente, e devido à deterioração irreparável das cópias ou das matrizes, hoje nada existe que nos permita ver este filme.

Crítica

[ CITI ]