Almeida Garrett - Vida e Obra
João Batista da Silva Leitão de Almeida, nome completo do escritor, nasceu no Porto em 1799 e faleceu em Lisboa em 1854. O apelido irlandês está na genealogia da família: Garrett é o nome da sua avó paterna, que veio para Portugal no séquito de uma princesa.
Em 1809, a família Garrett refugiou-se na ilha Terceira, com receio das invasões francesas. A educação do Autor foi confiada a dois tios, o Dr.João Carlos Leitão e D. Frei Alexandre da Sagrada Família, bispo de Angra a partir de 1812.
Almeida Garrett foi estudar para a Universidade de Coimbra em 1816, frequentando o Curso de Direito. As suas influências liberais datam dessa época, no contacto com outros universitários.
Em 1821 edita a sua primeira obra, um poema intitulado "O Retrato de Vénus", em que celebrava a Pintura. O texto foi considerado ultrajante pela Censura da época e o autor foi obrigado a comparecer no tribunal, onde demonstrou as suas qualidades de tribuno, sendo absolvido. Foi também no ano de 1821 que subiu ao palco a sua tragédia "Catão", drama construído à maneira clássica. Apaixona-se, nessa altura por Luisa Midosi, uma jovem com 14 anos de idade. O casamento celebrou-se onze meses depois, já Garrett tinha concluído a licenciatura em Direito.
Dadas as suas ideias liberais conheceu o exílio em 1823, após a Vilafrancada, que marcou o triunfo das ideias absolutistas de D. Miguel. Garrett, acompanhado pela mulher, procurou abrigo na Inglaterra onde uma família inglesa, os Hadley, os recebeu numa casa de campo, em Edgbaston. Foi durante o período de exílio que o Autor descobriu o Movimento Romântico. Estuda a obra de Byron e Walter Scott, nomes consagrados do romantismo inglês, e adere à escola literária de que viria a ser em Portugal um dos maiores representantes.
A dureza do exílio, associada à necessidade de ganhar a vida, leva-o a muda de país para trabalhar em França, no Havre, como correspondente de uma filial da casa Laffite. Garrett conjuga a actividade comercial com a literatura e escreve "Camões" (1825) e "Dona Branca" (1826) primeiras obras da nova escola romântica portuguesa.
Regressa do exílio em 1826 e volta a deixar o país em 1828 porque o absolutista D. Miguel reassume o poder. Garrett volta a Inglaterra e a França, donde parte para a Terceira, integrado no exército liberal. Os azares da política não o impedem de prosseguir a sua obra. Publica "Adozinda" (1828) e "Catão" no mesmo ano. Esta peça viria a ser representada por emigrados em Playmounth, Inglaterra. Em 1829 saiu a "Lírica" e o tratado "Da Educação".
Durante a sua estadia nos Açores coopera com o notável político Mouzinho da Silveira na elaboração dos textos sobre a reforma de Portugal. Garrett participa, de armas na mão, no desembarque do Mindelo (1832) e escreve, durante o cerco do Porto, a primeira parte d' "O Arco de Santana", que viria a completar e a editar em 2 volumes, em 1845 e 1850.
Regressado a Lisboa, após o triunfo das ideias liberais separa-se de Luisa Midosi, que o teria traído. Volta a apaixonar-se e em 1837 passa a viver com Adelaide Pastor, que morrerá em 1841, deixando-lhe uma filha.
Há 150 anos, ou seja, em 1836 ocorreram factos políticos e culturais muito importantes: Portugal vive a Revolução de Setembro, cujo rastilho são os artigos de Garrett no jornal O Português Constitucional, e Passos Manuelencarrega Garrett de «propor um plano para a fundação e organização dum teatro nacional» (segundo reza o decreto respectivo). O Autor é ainda nomeado «inspector-geral dos teatros» e lança ombros à tarefa, promovendo a fundação do Teatro Nacional (actual D. Maria II), a fundação de um Conservatório Nacional e a criação de um reportório de peças portuguesas.
Para além da actividade política e legislativa, o dramaturgo lança mãos à obra e escreve para o Teatro o auto de Gil Vicente em 1838, "D. Filipa de Vilhena" em 1840 e "O Alfageme de Santarém" em 1842.
Em 1841 o cabralismo triunfa na política, Garrett remete-se à oposição contra a ditadura de Costa Cabral, que o demitiu do cargo de inspector-geral dos teatros.
Esta terá sido a época mais criativa de toda a sua carreira literária: em 1844 publica "Frei Luís de Sousa", em 1845 "As Viagens na Minha Terra", ainda em 1845 "As Flores sem Fruto" (1845), e as "Folhas Caídas", que datam de 1853, embora tenha sido escritas antes.
triunfo do movimento político da Regeneração (1851) traz Garrett à política activa. Funda um novo jornal, a que chamou A Regeneração. Em 1852 foi nomeado visconde, par do reino e ministro dos Negócios Estrangeiros.
Dado o seu temperamento e espírito independente sai em 1853 do governo regenerador. Regressa então à escrita, e inicia um novo romance, "Helena", que não chega a concluir porque entretanto a morte o surpreende.
"História da Literatura Portuguesa" - António José Saraiva; Óscar Lopes; Porto Editora; 10ª edição corrigida e actualizada; pp.794- 797.
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