O Romantismo

As grandes modificações políticas, económicas e sociais do século XIX fizeram sentir os seus reflexos, nomeadamente no campo literário e artístico. O ideário romântico teve expressão na poesia, no teatro, no romance histórico, bem como na pintura e escultura e em todas as artes. Se foi marcante no plano estético, não deixou de ter uma intervenção pertinente e oportuna na sociedade civil. Assim, lirismo, sensibilidade e individualismo têm eco junto da burguesia citadina portuguesa, que fruindo os novos gostos, recebeu de bom-grado as medidas legislativas de 1836, que estiveram na base do relançamento do teatro português.

A ascensão da burguesia como classe de Poder, que varreu os absolutismos da Europa, teve contraponto artístico o movimento romântico, que se pode considerar como o espelho onde o burguês gostava de se mirar, nomeadamente na virtudes de que se julgava imbuído. O primeiro dos ideais romântico é, sem dúvida, o culto do eu. Associado ao individualismo surge a livre expressão da sensibilidade. São os ideais românticos condimentados com a necessidade de evasão e exotismo no espaço e no tempo, fórmula com tradução artística no gosto pelas paisagens medievais e pela fuga para espaços inexplorados das Américas, ou do Extremo Oriente. O herói romântico é invariavelmente pálido, olheirento, tomado de um spleen enfastiante e, por vezes, enfastiado. A heroína tem uma dupla face: mulher-anjo (Joaninha dos Olhos verdes) ou mulher-diabo (Milady) dos Três Mosqueteiros, de Alexandre Dumas.

A crença nas virtudes do ego gera, com frequência uma visão egocêntrica e antropocêntrica dos fenómenos políticos e sociais.

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