O Teatro de Garrett

Garrett só voltou ao teatro muitos anos após a estreia de "Catão", quando o projecto oficial, por ele proposto de criar um teatro nacional, o obrigou a produzir um repertório apropriado, a partir, praticamente do nada. Esse era um projecto dos Árcades que Garrett adaptou à nova teoria literária, esforçando-se por nacionalizar a teoria do drama romântico (que bania a distinção entre o drama e a comédia). Porém, a sua obra prima «Frei Luís de Sousa» contém em germe características imanentes ao romantismo e ao classicismo. O mito sebástico preenche a trama desta peça que alguns querem ver como uma análise psicanalítica de Portugal.

Algumas características da teoria do "drama": multiplicidade de localização a alongamento do tempo, para permitir uma acção mais livre; recurso ao característico, local, histórica e psicologicamente; efeitos de contraste entre o grotesco e o sublime; diversidade dos tipos humanos, até nas suas formas patológicas e vulgares.

A tradição vincentina é invocada em "Um Auto de Gil Vicente". Bernardim Ribeiro, Garcia de Resende, Gil Vicente e o rei D.Manuel vêm à ribalta a evocar um passado de grandezas. Conquanto a autor tenha intencionalmente visado um contraste de caracteres - Gil Vicente/Bernardim - as pessoas e seus problemas não passam de motivos decorativos deste espectáculo todo exterior.

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